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30 de jul. de 2010

O Livro de Renesmee :j

11. CONFUSÃO POR IMPRESSÃO
Sábado, depois de dias da aparição oficial de Joham a minha família, fui como de costume a casa de meu avô. Lá eu me sentia bem, era meu refúgio, eu era tão normal para ele, só Nessie, sua neta, filha adotada de Bella e Edward.
Quando ele viu meu anel se assustou.
-Devo conversar com Jacob...-ele disse, quando me perguntou o dia do noivado.
-Vô, não foi bem um noivado, é apenas um anel de compromisso, para firmar o namoro, o senhor está parecendo até tia Alice!-brinquei e ele sorriu.
-Falando nela, sua mãe e ela não abriram a loja nesses últimos dias não é?-Charlie sempre desconfiado e bem informado.
-Oh sim! Estão reavaliando o catálogo. Deve demorar mais uns dias para atualizar os produtos da loja.-inventei.
-Hum... ainda bem que você vem me dar notícias, não gosto de ir lá na casa dos Cullen!-ele sussurrou.
Na TV passava um jogo de uma final de beisebol na Flórida. Mas Charlie não parecia prestar atenção a TV.
Antes do meio dia Sue estava lá, assistiu algo com a gente, e depois de fazer o almoço de Charlie, me convidou para ir a reserva no domingo, teria fogueira dos lobos.
-Sim, eu irei. Jake não me avisou... mas mesmo assim eu vou.
-Ele tem passado os dias na oficina de Sam, esse período de escola sempre trás trabalho, algum adolescente sempre quer arrumar um carro ou outro para ir se mostrar no colégio.-Sue falou, lavando os pratos enquanto eu enxugava e guardava.
-E também ele não tem mais que ficar o tempo todo fazendo rondas, certo?
-É. Mas mesmo assim, nas horas vagas está preparando os garotos para a luta. Mesmo ele dizendo que sua família não quer que eles participem.-Sue disse, com grande tom de decepção.
-Melhor sem eles. Odiaria que alguma coisa acontecesse a Jacob e ao bando dele.
-Eles não são gatinhos Nessie, são lobos, feitos para dar fim nesses vampiros!-com emoção Sue falou, mas depois ficou muda, Charlie estava vindo até a cozinha.
-Não posso beber não é?-ele perguntou encostado no balcão, já sabendo a resposta.
-Não. –eu e Sue falamos juntas, com uma cara indiferente mirando ele.
-Ok! Minhas enfermeiras particulares!-ele ergueu as duas mãos e deu meia volta.
-Acho que vou indo. Você vai passar a tarde aqui Sue?-perguntei assim que terminamos de lavar a louça.
-Oh, sim! Vou!-ela disse, com um sorriso meio envergonhado.
-Então eu vou embora, você deve saber que minha família anda se preparando também.-falei baixo.
-Sim, sim. Percebi assim que passei e vi a loja de sua mãe fachada.
-Pois é. Quero dar uma bisbilhotada e participar, mesmo eles sendo contra.
-Vá então, querida! E apreça amanhã lá.-Sue sorriu enquanto eu saía da cozinha.
-Vô Charlie, como você arrumou companhia para esta tarde, vou indo. Prometo que segunda, depois da escola passo aqui.-falei e dei um beijo na sua bochecha.
-Mas porque não fica com eu e a Sue?-ele perguntou se levantando do sofá.
-Ah, vovô! Não vou atrapalhar o namoro de vocês! E tenho mesmo que ir!-fui até a porta e a abri, Charlie atrás de mim.
-Não há namoro, Renesmee! Você tem cada ideia!-ele disse, meio vermelho.
-Sei! Até mais vovô!-sorri e ele me deu um beijo na testa e eu montei na moto, coloquei o capacete e liguei. Acenei para ele e saí rumo a minha casa.
Já lá, sabia que todos estavam na clareira, tio Jasper e minha mãe fazia alguns movimentos no centro, tia Alice e Rosalie outros. Meu pai e Esme e Carlisle e tio Emmett. Todos tinham com quem lutar, menos eu. Sentei e comecei a observar, cheia de tédio.
-Quer entrar na brincadeira, Nessie?-tio Emmett quis saber, vindo até mim.
-Se quero? Eu estava quase entrando no meio da luta de vocês dois!-falei, pegando em sua mão e levantando.
-Edward, pego pesado?-ele sorriu maldoso para meu pai que apenas rosnou, deviam ser os pensamentos de tio Emmett.- Ok, Nessie, só o modo iniciante para você.
-Não vou reclamar, por enquanto!-adiverti.
-Primeiro, sempre fique atenta aos movimentos do seu adversário, como você não lê mentes nem vê o futuro, não tem como prever os movimentos de seus oponentes, então só se concentre em cada passo dele, certo?-olhando fixamente em meus olhos tio Emmett explicou.
-Acho que sim.-pelo menos eu tinha ouvido o conselho, não sabia se ia conseguir aplicá-lo na prática.
-Ok, vamos começar. Vou fingir te dar socos e quero que você se defenda.-ele disse, se afastando um pouco de mim e se colocando em posição ofensiva.
-Vamos lá!-falei, entusiasmada.
Ele não disse nada, apenas começou a me aplicar rápidas simulações de socos, consegui me defender de poucos. Ele diminuiu a velocidade e eu fui conseguindo maior número de defesas.
Até que ele acelerou novamente e eu aumentei meu ritmo também, cada vez mais eu conseguia desviar e defender-me de seus golpes.
-Ual! Você é boa, garota! Agora é pra valer...-ele olhou para meu pai. Foi quando eu percebi minha família toda sentada me observando, fiquei um pouco pressionada, mas respirei fundo.
Meu pai apenas moveu as sobrancelhas e tio Emmett deu de ombros.
-Vamos lá garota! Me dê orgulho em bater em você!-ele sorriu e eu me coloquei na defesa.
-Me bata!-incentivei e ele fechou seus punhos e começou a me socar no rosto com força. Meus punhos recebiam seus golpes fortes com rigidez. Vi que ele mudou rapidamente, em menos de uma fração de segundos, a posição dos punhos, levando um deles até meu estomago, protegi imediatamente.
Ele simulou mais alguns golpes, só vacilei em um, que me levou ao chão. Minha mãe se levantou rápido e veio para meu lado.
-Você está bem?-ela perguntou me ajudando a levantar.
-Estou, mãe. Pele indestrutível, lembra?-falei e fiquei de pé. Meu estomago latejava. A pele por fora estava normal, mas por dentro o impacto foi recebido. Aquilo, mesmo em pele dura, foi dolorido.
-Não sei se é bom você continuar...-ela disse, olhando para tio Emmett que apenas ria.
-Claros que é! Tenho que me proteger, mãe! Por favor, não tente mais me ajudar, devo aprender sozinha!-determinada, me soltei de suas mãos e caminhei em direção a tio Emmett. O céu estava nublado, nuvens leves, porém densas.
-Você é durona! Só podia ter puxado a mim! Vou pegar leve...
-Não! Dê tudo que puder!-falei, ou melhor, ordenei.-Joham não irá pegar leve comigo!-disse, ficando na defensiva de novo.
-Aquele verme será fácil! Você nem precisará lutar!-ele implicou.
-Menos conversa e mais ação!-eu retruquei e ele apenas fixou seu olhos em mim, com um sorriso torto.
-O meu quase melhor!-ele atacou.
Dessa vez, começamos a andar, e eu me senti segura para atacá-lo também. Tentei aplicar-lhe algum soco, mas tio Emmett era muito escorregadio. Me defendi de alguns movimentos rápidos seus. Tio Emmett tentou me aplicar uma rasteira, pulei e dei-lhe um pontapé no queixo que o fez cair.
-Opa! Boa garota!-ele sorriu e rapidamente se levantou.
Voltou para cima de mim, e agora começou a alternar os golpes, caí em uma rasteira sua, mas me levantei, ataquei-o por trás, ele pegou em um dos meus braços e me jogou no chão.
-Queria o meu melhor certo?-ele disse, parando, puxando ar rápido.
Me levantei, sentindo meus músculos se contraírem. Minhas costas agora sentiam uma pressão forte, no que imaginei ser uma fraca dor.
-Só isso?-zombei.
-Você nem imagina o que eu tenho de melhor!-ele sorriu e correu na minha direção. Saltou e ia cair sobre mim, mas fui rápida e me esquivei. Ele voltou para perto de mim, me puxou novamente pelo braço, me virei rápido e desvencilhei-me das suas mãos.
Mas tio Emmett estava indo rápido demais, me passou uma rasteira e logo depois me atacou, sem tempo para me esquivar das duas coisas, senti suas mãos geladas em volta do meu pescoço. Logo meu corpo girou no ar. A queda seria impressionante.
A adrenalina correu rápida pelo meu sangue e logo ele congelou. Antes que eu pudesse estar espatifada no chão, meus pés tocaram a terra, macios. Eu estava transformada.
-Vamos igualar as coisas.-falei, em um tom confiante e tio Emmett sorriu de excitação. A luta ficaria mais emocionante.
-Muito bem, vampira. Mas agora sua força duplica... será meio injusto!-ele disse.
-Está amarelando?-instiguei.
-Nunca!-ele avançou.
Senti sua força se multiplicar, ele estava lutando de igual para igual agora, não teria pena de mim e eu, bem, eu também não!
Logo que me desviei de um de seus ataques, lhe apliquei uma chave de pescoço, mas ele logo se soltou, tentou pegar em meu pescoço novamente, mas não conseguiu. Fugi, rápida, voltei e peguei em seu musculoso braço e o girei, ele parecia muito mais leve agora. Joguei-o no chão, e a lama que havia em uma das poças espanou.
-Minha camisa estava limpa!-ele reclamou.
Fui em cima dele, com uma fúria incontrolável dentro de mim, aquilo estava fugindo do controle. Corri na sua direção e vi quando ele fugiu do meu encontro. Cacei-o e dei-lhe uma rasteira, tio Emmett caiu. Ainda no chão, segurei em sua garganta e apertei, tornando sua libertação quase impossível.
Ele deu fortes socos em meu punho para que eu o soltasse, mas não havia motivos, não para meu corpo, de fazer aquilo.
-Nessie, chega!-meu pai gritou.
Voltei a mim, a vergonha logo fez meu corpo se acalmar, meu sangue voltou a correr, e meu coração a pulsar rápido. Voltei a minha forma original.
-Sua transformação te torna uma máquina de matar!-tio Emmett comentou.
-Me desculpe! Perdi o controle!
-Recém nascidos são assim, e você, nossa! Me surpreendeu!-ele disse, um pouco espantado.
Era tarde já, resolvemos todos voltar para casa.
-Não sei se vai ser uma boa ideia deixar você entrar no próximo treino.-meu pai comentou, já em casa, eu, ele e Bella sentados no sofá.
-Porque não? Eu prometo me conter...-falei, olhando sua face sem expressões.
-Não sei como essa transformação é provocada, como ela se desenvolve, nem quando de fato ela irá acontecer.-ele comentou.
-Mas se eu não trabalhar esse meu poder, não saberei o controlar!-repliquei.
-Isso é verdade.-minha mãe concordou.
-Não estou pedindo para não usar seus poderes, apenas não quero você envolvida em lutas.-ele se justificou.
-Como poderei não me envolver? Só assim vou poder colocar meus poderes em prática, pai. Não é justo! Você quer que eu continue assim até quando a transformação de fato ocorrer e eu não puder mais controlá-la.-baixando meus olhos, disse, já um pouco triste. Eu queria participar daquilo, não queria ser uma inútil!
-Mas você não será! Meu Deus! Como descobri uma adolescente tão teimosa. Acho que nem Bella foi tão insistente para se tornar vampira quanto você é pra entrar nessa maldita luta.
-Talvez eu tenha sido mais...-minha mãe sorriu, afagando meus cabelos.
-E você cedeu ao pedido da mamãe.-eu o lembrei.
-Não foi bem assim! Seu nascimento me colocou em um beco sem saída. Para você ter sua mãe foi necessário a transformação, ou o corpo de humana de Bella não resistiria.
-Mesmo assim, Edward, se não fosse Nessie, eu não iria esperar mais muito tempo, lembra?-minha mãe o olhou e ele suspirou.
-Sei que vocês querem me proteger, mas nãos é certo me privar de tudo, preciso aprender a me virar sozinha!-falei me levantando.-Eu vou treinar, pai, por favor, não tente me impedir.
-Ok, certo. Eu nunca resisto aos pedidos das mulheres dessa família. Ainda mais se for com tanta educação.-ele zombou e eu cheguei para perto e beijei sua bochecha fria.
-Te amo, pai, não se esqueça disso.-minha mãe sorriu e meu pai apenas retribuiu com um beijo frio em minha testa.
-Te amo também.-ele disse.
-Mãe, eu amo você! Com certeza o papai é muito vulnerável a você!-sorri, piscando para ela.
-Nessie, como você consegue esconder seus pensamentos?-meu pai perguntou, me jogando uma almofada enquanto eu abraçava Bella.
-Não escondo nada pai, só evito pensá-los enquanto estou conversando com você!-confessei.
-Não se intimide, Edward, nossa filha saiu um pouco de nós. Mesmo sem ter nossos poderes, ela consegue dar um jeito de incrementar e aumentar o seu.
-E como consegue, você está ficando cada vez mais decidida, Renesmee Cullen!-Edward sorriu torto.
Sou adolescente. Pensei e ele apenas balançou a cabeça, um tanto quanto conformado com sua sorte.
-E, pai, quer dizer, mãe, amanhã vou até a reserva, vai ter fogueira e Sue me convidou.-falei, sem grande emoção.
-Sue?-minha mãe sorriu insinuativa.
-Oh! Sim, Jacob parece que anda meio ocupado. Não pode vir me ver hoje. Então, amanhã talvez, dormirei fora.-Bella e Edward se olharam, um pouco confusos, não sei o que passou pela cabeça deles.
-Nada, não estamos pensando nada. Vá e se divirta, afinal você precisa parar de pensar em lutas o tempo todo.-Edward revirou os olhos e eu o imitei.
-Boa noite! Amo muito vocês!-era estranho fazer muitas declarações de amor numa mesma noite, mas hoje, aqueles dois adolescentes que eu chamava de pai e mãe estavam tão próximos de mim e tão longe ao mesmo tempo.
Tinham cara de jovens, quando na verdade já deviam ter envelhecido, mas teimavam impor ordens, que ficavam um tanto quebráveis por sair de bocas tão adolescentes.
Pensado isso, entrei no meu quarto, deitei e dormi. Logo pela manhã havia chuva caindo no vidro da minha janela, suspirei. Domingo chuvoso era muito deprimente, Forks era sempre assim, não me admirava o humor das pessoas serem tão fechados.
Bella hoje me ajudou a arrumar a casa, fazer coisas com a minha mãe era muito importante para mim. Não sei, mas fortalecia o vinculo entre nós. Bella tinha um instinto materno muito forte, e conversando com ela senti como ela se sentia a meu respeito.
-Jacob costumava ser mais durão, minhas vagas memórias com o passar do tempo e os incentivos de Edward foram se tronando mais fortes e me lembro com nitidez coisas que fiz que me arrependo.
-O que por exemplo?-perguntei, enquanto arrumávamos seu quarto.
-Bem, não é que eu me arrependa de ter beijado Jacob, é que eu me arrependo de ter traído Edward, ainda mais daquela forma. Eu considerei uma traição e no momento pensei que ele não me perdoaria.-ela admitiu, olhando para a colcha estendida na cama. Seus olhos dourados estavam perdidos num vazio profundo.
-Mas, como tia Alice e tia Rosalie me contou, foi Jacob que instigou.-eu falei, encarando seu rosto de mármore perfeito, mesmo sem ter seus olhos nos meus.
-Foi por isso que me senti tão mal, não deveria ter sido daquela maneira, Jacob jogou sujo naquele momento.-ela confessou, ainda sem me encarar.
-Eu imagino.-suspirei.
-Quando ele me beijou da primeira vez, quebrei minha mão...-Bella sorriu.
-No rosto dele?-perguntei, já sabendo a resposta.
-Sim, foi idiotice a minha, humanos não pensam muito quando estão com raiva.-minha mão me olhou, sua boca estava com um sorriso torto satisfatório por estar longe daquela sua condição de antes.
-E... foi bom?-tentei indagar, saber como minha mãe havia se sentido em relação a beijar outra boca depois da de Edward.
-Oh, Nessie! Céus! Não sei, não me lembro!-Bella era péssima mentirosa.
-Hum... não precisa lembrar se não quiser...
-Foi diferente.-ela confessou sem que eu precisasse de muito esforço para fazê-lo.
-Mas você gostou?
-Que curiosidade, garota!-Bella exclamou, puxando ar e retirando os olhos dos meus. A adolescente em minha frente não parecia mais minha mãe, mas uma colega minha.
-E então?
-Foi no máximo... digamos que... diferente! É, essa é a definição. Mas hoje, aquele beijo me causa repulsa, talvez pela minha condição...-ela sorriu sem graça, ajeitando o travesseiro.-Mas me diga, você, bem, gosta dos beijos de Jacob?-ela pareceu Renée, com suas perguntas. Pelo menos era o que ela me contava de minha avó.
-Como posso saber? Nunca beijei outro.-sorri.
-Mas isso não faz diferença, perguntei se você gosta de como ele beija.-sem mais delongas, Bella conseguiu me constranger, mais do que eu a ela.
-Ok, certo. Eu, bem, sou apaixonada pelo beijo de Jacob se era isso que você queria saber...-confessei, cruzando os braços.
-É o normal. Não há nada melhor do que beijar quem amamos.-Bella suspirou.
Essas conversar com minha mãe faziam o tempo passar depressa, não demorou muito depois de toda essa volta ao passado para ser meio dia.
-Talvez, não sei ainda ao certo, façamos uma viagem de caça. Como você está se sentindo? Acho bom repor, já faz duas semanas...-nós estávamos entrando na inutilizável cozinha.
-Talvez... não me sinto tão mal, a queimação não me incomoda tanto, começo a me adaptar a ela toda vez que um cheiro fica mais forte. Mas não é bom vacilar, ainda mais quando se tem uma amiga humana...-brinquei e Bella me olhou rápida.
A tarde, com a chuva terminada, meu pai e meus tios resolveram treinar. Carlisle e vó Esme não foram, ficaram resolvendo algo. Não lutei hoje. Mas foi bom, a noite chegaria mais rápida. Ultimamente tenho esperando as noites como crianças esperando papai Noel.
Antes das sete, vesti algo, digamos que, conveniente e me dirigi a garagem. Olhei um anel metálico, com aqueles desenhos formando um lobo e uma corrente. Aquilo significava, não sei, talvez minha interpretação estivesse errada, mas um lobisomem acorrentado a mim. Não havia melhor representação. Por isso aquela jóia se chamava Anel da promessa Quileute.
Liguei a moto e saí, a estrada até La Push estava enlameada, e eu não sabia o local exato da fogueira, não desta noite. Acho que a clareira de sempre devia estar encharcada. Resolvi ir até a casa de Sue. Ela que me convidou.
Bati, mas ninguém me atendeu. Sentei na entrada da casa, me decidindo o que fazer. Entrar na floresta e rastrear o cheiro? Não. Muito instinto caçadora.
-Noite linda, não, futura senhora Black...-aquela voz me fez tremer. Jacob, sob a luz fraca do rol da casa de Sue me olhava.
-Boa noite, senhor Black.-disse, pegando sua mão e levantando.
-Então, Sue me disse que tinha te convidado. Eu sou um idiota! Não devia ter feito isso com você!-ele se desculpou, passando um de seus braços em minha cintura.
-Não se desculpe, não há nada o que desculpar. Sue me contou quanto trabalho você está tendo...-comentei.
-Nada, mas nada mesmo, Renesmee, deve ser mais importante do que você!-com emoção e olhando nos meus olhos, ele disse.
-Essa é a voz da impressão ou de Jacob?-perguntei, sorrindo torto.
-Por incrível que pareça, é Jacob!-ele gargalhou.
-Hum, que romântico. Sinto-me bem por estar tocando seu coração dessa forma. Não sentir só o amor da impressão.-suspirei.
-Nessie, acho que, mesmo que não tivesse sofrido a impresso por você, me apaixonaria do mesmo jeito, porque, você estava desde o começo, no meu destino. Desde quando eu gostava de Bella, desde antes, você já estava no meu destino, por isso sofri tantas desilusões, porque não era pra mim, sabe...
-E agora, eu sou pra você...? Interessante. Sempre me achei diferente de você, e nunca, naqueles meus tempos de criança, imaginaria um amor por você diferente do que eu sentia.-confessei.
-Sei como é. Eu também me senti assim. Não queria que as coisas acontecessem tão rápido. Você ainda tem, digamos que, quinze anos, e já está oficialmente ligada a mim.
-Isso eu já estava, esqueceu, desde antes...-sorri, nossos corpos ficaram juntos, um de frente para o outro, nossos rostos foram se aproximando, quando meu celular tocou.
Jacob rosnou e se afastou rápido.
-Alô, Andie?
-Nessie, boa noite.-a voz de Andie não parecia nada animadora.
-Onde você está?
-Em casa, sozinha... bem, vou logo perguntar, você não quer ir a Port Angeles pegar um cinema? É que meus pais saíram, John está na casa dos meus avôs e eu estou só...-Andie estava quase chorando, eu parecia ser a esperança dela. Me comovi apenas com sua voz.
-Olha, não posso ir a Port Angeles. Estou na reserva de La Push. Mas se você quiser vir até aqui...-olhei para Jacob que fez uma cara interrogativa.
-Até La Push? Não sei. Não queria ir até aí sozinha.-ela desanimou.
-Oh, eu vou te pegar...-falei e Jacob gesticulou que não e eu me surpreendi.
-Certo, então. Vou me vestir. E, Nessie, obrigada por estar sendo tão legal comigo!-dava pra sentir sua alegria pelo celular.
-Somos amigas, certo?
-As melhores!-ela quase gritou.
-Até logo!-falei e ela desligou.
-O que tem de errado trazer Andie aqui?-perguntei, ouvindo Jacob suspirar.
-É como se você convidasse Ed Broock pra ver o Petter Parker se vestindo de Homem Aranha e saltando de um prédio.-Jacob disse azedo.
-Nada demais. É só não haver explosões.
-E as histórias, Renesmee? Sabia que contamos histórias?
-Podemos apenas dizer que são lendas! Jake, faz isso por mim! Ela é minha amiga e está sozinha! Preciso dela...-sussurrei, baixando os olhos e fazendo biquinho.
-Ah, biquinho não, isso é golpe baixo!
-Por favor?-implorei.
-Oh, certo! Vou ser banido da reserva por ser o pior alfa da história quileute! Meus filhos ouviram nas fogueiras a história de um pai fracassado...
-Não seja dramático. Olhe! Os garotos estão vindo da casa de Sam.
A turma se aproximou e me saudou.
-E aí, rapazes!-percebi a cara amarrada de Seth.-O que fizeram ao meu tio?-falei, indo abraçá-lo.
-O de sempre! Foram idiotas!-Seth reclamou.
-Não nos trate assim, seu verme! Você não sabe o quanto esse garoto é patético!-Quil lhe deu um soco no braço e ele tentou revidar, mas Quil foi mais rápido e se esquivou.
-O que aconteceu?-olhei para Jacob.
-Não olhe pra mim, deve ter sido algum deles que está zoando e implicando com o pobre Seth.-Jake zombou.
-Nessie, ele está todo amargurado porque queria ter uma garota.-finalmente Embry zoou, soltando uma gargalhada que foi acompanhada pela dos outros.
-E o que isso tem de mais? Todos vocês não desejam uma?-falei e eles me olharam como se eu fosse de outro planeta.
-Não, você não entendeu. Ele quer ter uma impressão, porque não arruma uma garota e acha que tendo impressão, vai arrumar. Trouxa!-Jared caçoou.
-Vocês que são uns imbecis! Tem a sorte de terem uma impressão e ficam zoando de quem quer ter uma.-Seth disse, emburrado.
-Não fique assim, Seth. Tenho certeza que, com impressão ou sem impressão, você vai encontrar uma garota.-encorajei-o, passando minha mão em sua cabeça.
-Só nos seus sonhos, baby.-Embry disse e todos riram.
-Bem, eu vou indo. Me esperem, já volto.
Montei na moto e liguei.
-Ei!-Jake me puxou e me beijou, seus lábios quentes e macios se apertando contra os meus, em um ritmo carinhoso que me fez perder o ar. Os garotos assoviaram e eu fiquei meio sem graça.
Saí, meio tonta, desconcentrada do que ia fazer. Meu nome, qual era mesmo? Jacob era surrealmente perfeito. Me deixava sem ar e sem rumo literalmente. Ou então eu era muito débil mesmo.
Já na casa de Andie, a loirinha estava vestida normal, o que achei estranho. Uma calça jeans preta, tênis comum, uma blusa de lã verde folha, muito normal.
-Oi!
-Vamos.-falei e ela não precisou ouvir duas vezes, subiu na garupa eu acelerei. Eu podia ouvir as batidas do seu coração aumentarem rapidamente. Ela estava muito feliz, talvez eu não fosse uma amiga ruim.
Já em La Push, os garotos nos esperavam onde eu tinha marcado. Jacob tinha uma cara tensa. Suspirei ao descer da moto.
-Garotos, essa é Andie!-falei e ela ergueu uma das mãos, a outra foi para o cabelo, tirar os que caíram na frente do seu rosto, quando ela abaixou o rosto, envergonhada com tantos rapazes.
-Olá!-Seth disse, se destacando de todos os cumprimentos. Acho que só eu percebi isso.
-Vamos.-Jacob disse, duro. Eu enlacei um braço meu no seu e o fiz olhar nos meus olhos.
-Não seja tão chato. Vai dar tudo certo!-falei, confiante.
-Nessie...-Andie sussurrou em meu ouvido.
-OI?
-Esse é seu namorado?-ela mirou Jacob com admiração.
-É sim...-olhei sua cara amarrada e ri.
-Parabéns.-ela disse, sorrindo fracamente.
-Obrigada.-vi um sorriso fraco nascer na expressão, agora, pretensiosa de Jacob. Convencido!
Seguimos, Andie me perguntando algumas coisas, e eu respondendo, andando lado a lado com Jacob. Os garotos ainda caçoavam de Seth. Comecei a ver um clarão, a fogueira estava no lado oeste da reserva, quase no fim do penhasco. A vista do mar estava linda. As nuvens no céu não estavam tão densas.
-Hum, visitas...-Sue sussurrou, seu tom um pouco reprovativo. Sam ficou com uma cara fechada. Olhou Jacob com olhos apertados e Jake apenas deu de ombros e nós nos sentamos. Havia lingüiças em espetos perto da fogueira. Logo cada garoto pegou um e foi se chegando para perto da fogueira, menos Seth. Estranhei.
Sue, como de costume, começou a contar as histórias, eu já tinha ouvido, mas Andie parecia encantada com cada palavra que saía da boca de Sue. Ela estava fascinada.
Quando Sam começou a contar a suposta lenda da origem dos lobisomens, ressaltando sempre para “É apenas mais uma lenda antiga”, ela nem prestava atenção em nada, só na voz de Sam.
-Nessie, veja aquilo.-Jake, mais relaxado, me cotovelou de leve e apontou para Seth. Ele estava como Andie, só que não olhava para Sam, olhava para ela. boquiaberto.
-Ou ele está fingindo, muito, muito bem, ou acaba de resolver seus problemas com garotas.-Jacob gargalhou no meu ouvido.
-Oh! Sério? Ele sofreu a impressão pela Andie? Assim? De repente?-perguntei, assustada.
-E você acha que seria como? Depois do primeiro beijo?-ele revirou os olhos.
-E se Andie, bem, e se ela não quiser ela?-cochichei, sem tirar meus olhos da cara débil de Seth.
-Ela não terá opções. Ele ficará irresistível, carinhoso, apaixonado, ou seja, um imbecil total.-Jacob riu, mas eu não gostei.
-Nossa! Eu estou meio que, emocionada de ter presenciado isso. É um, um... um fenômeno importante para os lobos certo?-fantasiei, mirando a cara zombeteira de Jacob.
-Digamos que decisivo.-ele torceu os lábios.
-Que romântico... -suspirei e continuei a observar, logo Sue percebeu e sorriu para mim. Eu devolvi o sorriso, mais boba do que Seth.
Assim que as histórias foram findando, os garotos foram fazer um lanchinho, só Seth que permaneceu imóvel, olhando Andie.
-Ei! O que há? Não vai comer?-Quil deu um empurrão no mórbido Seth.
-Comer?-ele disse e todos prestaram atenção nele.
-O que há com você?-Brady quis saber.
-Nada!-rápido ele disse, olhando em volta. Mas não resistiu e olhou pra Andie, que conversava com Sue e Rachel.
-Ele está impressionado!-Paul gargalhou.
Todos se surpreenderam, Andie não entendeu nada, melhor assim.
A fogueira já havia se desfeito quando Andie pediu que eu a levasse em casa.
-Nessie, me deixe levá-la!-Seth se ofereceu e Andie olhou-o confusa.
-Você se importa Andie?-perguntei e ela contraiu um lado do rosto, com uma cara reprovativa.
-Está tarde para que eu vá só com você...-inventei, uma desculpa tipicamente humana.
-É, pode ser...-ela sorriu, disfarçadamente.
-Ótimo!-Seth exclamou e os dois desceram a montanha. Não sei se fiz o certo, mas Seth faria bem a Andie, e como faria.
-Tanto ele quis...-Quil disse, deitado em um pedaço de gramado perto da fogueira.
-Tanto zoamos ele...-Embry foi completando, sentado, ainda com um espeto de lingüiça nas mãos.
-Tanto ele pediu ao espírito do grande alfa...-Jared gargalhou alto, deitado no colo de Kim.
-Que conseguiu.-Paul finalizou e todos nós rimos.
-Ele merece!-falei e ninguém me ouviu.
Eu e Jake estávamos sentados em um tronco caído, eu tinha minha cabeça encostada no ombro dele. O ar frio veio do mar e bateu em minha pele. O calor de Jacob não me deixou sentir o frio produzido pelo ar.
-Vamos dar uma volta?-Jake sugeriu e eu apenas consenti com a cabeça.
Nos levantamos e todos nos olharam, rindo. Caminhamos em direção a floresta densa. Não falávamos nada um para o outro, só caminhávamos. Jacob parou em baixo de uma árvore enorme, de tronco grosso e se encostou lá, segurando minha mão.
Me apoiei em seu tórax e o olhei nos olhos. Sua boca automaticamente veio a minha. Suas mãos quentes deslizavam em meu rosto suavemente, passavam em minha nuca e meu pescoço, me deixando arrepiada.
Seus lábios macios percorrendo os meus, suas mãos me acariciando, meu coração batendo em um ritmo frenético, eu estava a um passo de flutuar. Perdi o fôlego e me afastei.
-Own...-ele sussurrou, rindo baixo em meu ouvido. Sua cabeça repousou suave em meu ombro. Suas mãos caíram em minhas costas, descendo e subindo.
Encostei meu rosto no seu novamente e iniciamos mais um beijo, dessa vez mais rápido e com mais emoção. Senti as mãos de Jake pararem em minha cintura, seu polegar entrara debaixo da minha blusa, acariciando minha pela. Se toque me fez ferver.
Levei minhas mãos até sua nuca, agarrei seu cabelo liso e o trouxe para mais perto. Seu beijo foi ficando intenso e sua mão avançou mais um dedo por debaixo da blusa.
Sem fôlego, parei e coloquei minha cabeça curvada em seu tórax, ele subiu um pouco a minha blusa, três dedos, eu acho, a cima da cintura. Sua mão quase toda estava agarrada a minha pela, alisando-a. Seu toque me deixava mole, minhas pernas estavam tremendo.
Pela primeira vez desde essas três semanas de namoro, e pensei em um futuro distante, onde seria mulher de Jacob. Eu pensei, naquele momento, em sexo.
Respirei fundo, sentindo minhas bochechas ficarem quentes. Meu coração não podia bater mais rápido do que aquilo. Suas duas mãos seguravam minha cintura, sem mais atrevimentos, nem sei se com segundas intenções.
Comecei, a partir desse momento, a enxergar Jacob como o homem que ele era, com suas necessidades. Aquilo me fez tremer. Não, eu não estava pronta, talvez nunca estaria. Confesso que sentia uma forte atração pelo corpo dele, mas nada que me induzisse a qualquer coisa a mais.
-O que foi?-ele perguntou, desconfiado da minha longa pausa no seu tórax.
-Nada. Só esqueci quem eu sou, só isso...-falei e ele sorriu.
Ficamos mais algum tempo ali. Estava amanhecendo quando Jake me trouxe para casa. Desci da moto e guardei o capacete. Ele me deu um rápido beijo e foi andando para fora da garagem. O segui.
-Vou passar na casa de Charlie hoje. Aparece lá. Ele quer falar com você...-sorri, pegando em sua mão.
-É, Sue me disse. Acha que terei problemas com o chefe Swan?-sua pergunta foi um pouco desconfiada.
-Oh, se você levar em consideração o tempo que ele queria você como genro, acho que não.-olhei sua expressão de deboche.
-Oh, então acho que não terei grandes problemas. Charlie me quer na família, eu sinto isso!-ele gargalhou e eu ri alto também.
A alvorada se aproximava, Jacob apertou minha mão e me puxou. Nossos lábios se uniram em um beijo breve. Jacob se foi. Entrei direto no meu quarto. Sentei na cama e comecei a imaginar uma noite com Jacob. Não no modo sexual, mas imaginado só nós dois em um quarto e...
-Bom dia!-meu pai apareceu na porta de supetão. Fiquei vermelha da cabeça aos pés. Só de imaginar que leu meus pensamentos.
-Não se constranja. É natural isso...-Edward disse, entrando no quarto e me olhando com cautela.
-Eu, eu... não sei o que dizer!-confessei, colocando meu rosto entre minhas mãos.
-Nunca me imaginei nesse momento...-Edward riu baixo, balançando a cabeça desconsolado.
-Quem mandou ter uma filha adolescente...-protestei, olhando para o chão. Meu pensamento estava tão vazio.
-Mas veja, eu acho que você ainda é jovem, terá décadas para pensar e... fazer isso!-ele disse, sem jeito.
Aquela situação era um tanto embaraçosa. Edward estava na minha frente, tentando conversar sobre sexo. Aquilo me fez rir alto.
Ele me acompanhou em uma estranha gargalhada nervosa.
-Não queira ter filhos, no mínimo um e deixe-o com Jacob, cuide de meninas... pais definitivamente não levam jeito para essas coisas...-Edward confessou, sorrindo torto.
-É melhor deixar essa conversa com a mamãe.-confessei, encarando sua cara pensativa.
-Oh! Certo!-ele suspirou e passou uma das mãos no cabelo ruivo e foi saindo.
Fechei a porta (que já estava recolocada), suspirando aliviada. Nunca mais eu voltaria a ter esses pensamentos. Não mais. Entrei no meu closet, me prepararia para ir ao colégio.

28 de jul. de 2010

O Livro de Renesmee :j

10. APARIÇÃO
-Sarah era o quê?-perguntei, meio ao comportamento eufórico de Jacob.
-Ela estava se fazendo de boazinha esse tempo todo, mas na verdade ela estava com o sanguessuga!-ele me explicou de novo.
Eu tinha acabado de chegar na reserva, a escola foi tranqüilo, tinha lição de casa, mas aquela notícia tinha acabado comigo literalmente.
-Qual a finalidade dele ter um lobo como aliado?-perguntei, em meio a cara confusa de Jacob. Estavam todos lá, do bando quileute ao conselho. Sam abraçava a filha, preocupado, Emily conversa baixo com Rachel.
Lá na oficina de Sam tudo estava quieto, apenas eu fazia as perguntas.
-Ninguém sabe! Essa é a pergunta de um milhão de dólares.-Quil brincou.
-Eu pagaria até mais para tê-la.-secamente, falei, sem esperanças de desvendar aquele aflitivo quebra cabeça.
-Talvez... não, deixa pra lá!-Emily começou, e todos nós a encaramos curiosos.
-Continue!-incentivei.
-Bem, não sei se isso é a verdade, mas talvez ele queria ter acesso aos movimentos dos lobos para tirá-los do caminho. Como Jacob disse, ele pediu a Sarah que corresse e avisasse aos garotos que ficassem na reserva, assim teria caminho livre até sua casa.
-Isso faz sentido, mas ele não deveria ter medo da gente, já que ainda não sabia do nosso grande truque...-com um enorme sorriso, Embry falou.
-Não sabia, mas temia que os lobos atrapalhassem... eu entendi o que Emily quis dizer, e faz sentido. Se esse vampiro for tão previsível assim...
-Mas espere. Eu senti o cheiro dele, e agora que descobrimos que Sarah é sua aliada, bem, relacionei os cheiros, é o mesmo daquele vampiro que apareceu com o meio vampiro super poderoso.
-Joham?-eu asfixiei.
Não podia ser, ele tinha morrido, certo? Eu tinha que ir para casa, avisar ao meu pai, a minha família. Esse tempo todo, Joham fingiu junto com aquela loba do Alaska falsificada.
-Esse aí. Devemos ficar em grupos separados agora. Uma aqui na reserva e outro nas terras dos Cullens. Agora que sabemos quem ele é e o que ele quer, vai ser mais fácil ainda prever seus movimentos.-Jacob falou muito confiante.
-Mas muito cuidado, Jacob, ele com certeza vai usar a Nessie como fraqueza para te pegar.-Sam aconselhou.
-Pode deixar. Eu não vou me deixar vencer facilmente, não assim. Vou defender Renesmee, mesmo que meu bando dependa disso.
Havia fogo em seus olhos negros quando as palavras saíram de sua boca. Seu olhar não estava em mim, estava além, muito além de mim. Sorri um pouco envergonhada, quando seus braços quentes me puxaram para perto do seu tórax.
-Devemos ir avisar aos meus pais, tia Rosalie deve estar já na América do Sul falando com Nahuel sobre o vampiro. Avisando, podemos reunir toda a família para afastar Joham daqui...-falei, assim que saí dos braços de Jake. Um deles ainda envolvia minha cintura.
-Afastar não seria uma palavra definitiva. Como ele já matou por aqui, bem, os lobisomens vão ter um trabalho a fazer.-Sue disse, como se fizesse parte do bando.
Todos olharam impressionados para ela, Quil deu uma leve cutucada no estômago de Seth, que devolveu.
-Eu vou indo, mesmo que meus pais não estejam lá, ligo pra eles e aviso tudo. Peço pra virem, dou um toque pra vó Esme, explico a situação, ela virá assim que puder de Denali pra cá. Tio Emmett e tia Rosalie também. Jake, você vem comigo?-perguntei, quando todos nem mais olhavam pra mim nem prestavam atenção ao que eu dizia.
-Vou mais tarde, resolver como iremos fazer daqui pra frente.-ele começou a caminhar ao meu lado em direção a saída da garagem da oficina- Tenho que determinar os grupos de ronda, o que vai ficar na reserva e os que vão para sua casa. Não deve demorar muito. Você vai ficar bem sozinha?-nós dois paramos e ele segurou nos meus ombros e me olhou nos olhos.
-Sim, com certeza. Ele não virá atrás de mim, não agora, depois de saber que meu namorado e seu bando é neutro aos seus poderes.-falei, sem encarar seus olhos negros.
-Você falando assim, parece que está me usando...-ele sorriu, puxando meu rosto para perto do seu.
-E eu te uso... Com carinho, mas uso... Esqueceu que a impressão te faz meu objeto?-falei, vendo ele morder os lábios.
-Pensei que era o contrário.-ele sorriu, balançando de leve a cabeça.
-Não, o fraco pela impressão é você, não eu. Eu que te uso, levando em conta essa fraqueza sua.-sorri e coloquei minhas mãos em seu ardente pescoço.
-Posso não ser tão fraco como pareço...
Sua boca encontrou a minha. Por um minuto considerei a vergonha de ter alguém nos observando, mas seus lábios macios e quentes estavam tão doces, tão suculentos... ops! A vontade de novo não. Me afastei dele vendo seus olhos se apertarem e um ruga aparecer entre suas sobrancelhas.
-Gente, tchau! Até mais! Obrigada por tudo!-olhei para o fundo da garagem, onde todos ainda estavam discutindo possibilidades de ataque, entre outras coisas relacionadas a Joham.
-Até mais, Nessie!-os garotos disseram, quase em coro.
-Cuidado!-Sue me aconselhou, acenando.
Sorri, e fui saindo, até a frente da casa de Sam, onde minha moto estava. Jacob me seguiu até lá. Antes que eu pudesse sentar na moto, braços quentes me puxaram, me apertaram e um sussurro me fez perder a respiração, tremer da cabeça aos pés.
-Eu te amo...-Jacob sussurrou, baixo, mas bem audível, e eu não quis mais soltá-lo. Um medo bobo me fez parar uns segundos e olhar seus olhos, fiquei assim, minhas mãos em seu rosto febril, encarando seus olhos pretos penetrantes.
-Eu também te amo!-falei, e puxei-o para um beijo, mas cuidadoso dessa vez, pois meus instintos estavam a flor da pele.
-É... hoje a noite, peça para todos lá em sua casa se reunirem, quero falar com todos.-misterioso e com um sorriso enigmático, Jake disse, segurando minha mão.
-Falar o que?-curiosa, perguntei, desconfiando daquele sorriso misterioso.
-Você vai saber. Paciência. Por hora, só peço uma coisa, tome cuidado e... eu vou te levar!-ele pulou na moto, e eu apenas observei a cena, enquanto ele ligava a moto.
-Você não tinha que ficar com o bando?-montei na garupa e agarrei sua cintura quente.
-Tinha!-ele acelerou, e eu apenas segurei firme. Sabia que era a impressão, não sei como ele agüentava a dor. Como ele mesmo já me confessara, é como se facas rasgassem seu peito.
Rápido, esparramando águas das poças no caminho, Jacob seguiu em direção a minha casa. Quando ele estacionou e ia entrar na garagem, o detive.
-Não! Volte com ela para La Push. Não é justo!-reclamei.
-Mas eu ia voltar como lobo...-ele justificou.
-Não, seria mais seguro de moto! Vá, e também eu me certifico de que você volta a noite, nem que seja para trazer a moto.-sorri, ainda cheia de curiosidade. Não fazia a mínima ideia do que seria. Talvez alguma forma de me livrar de Joham...
-Então tá, isso é meio sem graça, mas tá certo. Até mais...-ele se inclinou e eu segurei seu rosto e dei-lhe um curto beijo.
-Até a noite!-lembrei novamente, sem me conter.
Jake balançou a cabeça e saiu, sem olhar pra trás. O tempo estava fechado, talvez a noite não fosse tão boa, iria chover, e muito. Entrei na casa de vô Carlisle e chamei por tio Jasper, mas ele não estava lá. Sozinha, algo como medo me ocorreu, mas não deixei que ele me dominasse.
-Alô, pai. Preciso que o senhor venha pra casa, é meio que, urgente...-falei, fazendo minha melhor voz de “nada de mais”. Mas não convenci.
-É sobre o vampiro?-preocupado, ele alterou a voz.
-Não precisa tentar ler minha mente pelo telefone, você não consegue.-brinquei, e ouvi Edward suspirar do outro lado da linha.
-Estou chegando aí o mais rápido possível. Você está com quem?
-No momento? Estou sozinha. Mas minha mãe e tia Alice devem chegar assim que eu ligar pra elas.
-Faça isso. Até já.
Edward desligou, acho que ele estava muito assustado ou receoso, não consegui, nem por um momento, nem mesmo não dizendo o assunto, deixá-lo tranqüilo. Meu pai devia estar cansado de tudo isso. Tantos vampiros vingativos vindo atrás da sua indefesa família.
Me senti um lixo assim que liguei para minha mãe e ouvi a mesma voz preocupada que meu pai fez. Eu não era uma boneca de porcelana, mas todos agiam assim. Ela e tia Alice estariam chegando em poucos minutos.
-Renesmee?-tio Jasper entrou na sala com cautela. Me olhou e começou a mudar meu humor. Acho que ele além de poder mudar, podia sentir o que as pessoas estavam sentindo.
-Oi!-sorri e me senti muito tranquila, não sei se foi o seu poder ou apenas sua presença.
-Então, voltou tão cedo da reserva por quê?-ele sentou-se ao meu lado no sofá e me encarou com aqueles olhos dourados.
-Novidades sobre o caso do vampiro misterioso.
-Hum... e então?
-Ele na verdade é Joham...
-Joham? Impossível! Ele morreu!-tio Jasper me cortou no inicio da frase, com um salto de espanto.
-Não, tio Jasper, não morreu. Aquela loba, a tal da Sarah, mentiu e Demetri não matou Joham. Sarah na verdade mentiu, Deus sabe o quanto, sobre aquela história toda. Na verdade ela e Joham estavam unidos, para fazer, ainda não sabemos o que, contra nós.
-Ou até sabemos, pegar você. Nossa, passam-se muitos anos e mesma história se repete. Mais um vampiro vem atrás da família Cullen para se vingar. Maldita hora que ajudei Edward a matar aquela criança!-ele disse, colocando seu rosto entre as mãos.
-Mas tio Jasper, imagina esse bebê, que cresceria super rápido, com tais poderes, deixaria os Volturi ainda mais fortes. Não condeno você e meu pai por essa atitude. Era o certo a fazer. Meu pai matou o parceiro de Victória, James, porque ele era uma ameaça, assim como aquele bebê. Isso só segue a frase: “Os fins justificam os meios.”
-Eu não quero nem pensar no que Joham é capaz, com esse poder de teletransporte. Sabe, Nessie, amar as pessoas, como vampiros amam, as vezes torna-se possessiva de mais. Veja seu pai e sua mãe. Edward desenvolveu uma verdadeira fixação por Bella. Assim ama os vampiros, assim eu amo Alice e morreria se algo acontecesse a minha baixinha, entende?
Minha reação mediante aquele desabafo foi apenas afirmar com a cabeça. Minhas palavras haviam sumido. Aquilo era realmente impressionante, sentir todo aquele desabafo vindo logo de tio Jasper.
-Desculpe, acho que acabei falando demais. Mas acho essa situação um pouco repetitiva. Por mim, os Volturi que deveriam vir e cuidar de tudo. Não fizemos nada de mais além do nosso trabalho, ou antecipamos o que eles iam fazer. Bella e Alice chegaram.
De repente, tio Jasper se levantou. Ficou olhando para a porta com incrível fixação.
-Nessie, meu Deus, o que aconteceu?-tia Alice rapidamente veio até mim e me abraçou forte. Depois foi a vez da minha mãe, que sentou comigo no sofá. Tia Alice ficou com tio Jasper no outro.
-Bem, é meio surpreendente o que vou contar, as coisas aconteceram rápido demais lá na reserva.-comecei a falar e olhei para tia Alice que apenas me incentivou a continuar suspendendo uma das sobrancelhas.
-Certo. Joham está vivo e...-tia Alice se levantou e eu fiz um sinal com a mão e a detive.-Espere, deixe-me continuar.-ela se sentou e me encarou, minha mãe estava muda, apenas me olhava com a boca entreaberta e seus dentes aparecendo.
-Então, Joham está vivo, Jacob encontrou com ele esta manhã, e descobriu também que Sarah, na verdade era aliada dele. Não sei por que, talvez para ter um espião no grupo dos lobos, não sei.
-Isso está indo longe demais!-minha mãe balançou a cabeça.
-Também acho.-tio Jasper concordou.
-La Push esteve em perigo, Jacob e seu bando vulneráveis a uma briga que nem mesmo é deles...
-Mãe, me escuta... Eu também me sentiria culpada por isso, mas o melhor eu deixei pro final...-coloquei um tom de suspense e vi todos na sala revirarem os olhos e me mirarem com curiosidade – Os lobisomens não podem ser teletransportados por Joham. Não é incrível?-animada, falei.
-Fantástico, pelo menos isso para ajudar. Não posso ver através deles, e nem de você, meu bem. Isso me deixa um pouco... frustrada.-tia Alice sorriu docemente.
-Me desculpe...-sorri de volta.
-Mas isso é uma vantagem para os lobos, filha. Nosso clã é vampiro, e Joham quer a nós, esqueceu?-minha mãe me lembrou.
-É uma vantagem que podemos usar a nosso favor. Jake vai lutar ao nosso lado mãe. Isso pode nos ajudar muito!-segurei suas mãos geladas e vi seus olhos se apertarem vendo esperança transbordando dos meus.
-Uma coisa deve ser analisada também. Jacob e Renesmee tem algo em comum...-tio Jasper começou a falar, me olhando e depois mirando tia Alice.
-Ambos são híbridos! Genial! Será que essa vantagem também protegeria a Nessie?
Por um minuto aquela dúvida de tia Alice me fez sentir forte, eu teria um ponto forte, algo que o vampiro não conseguiria transpor. Algo que faria minha família não duvidar do meu poder, que faria eles se desapegarem tanto de mim.
-Não, isso não é muito provável. Lembrem que ele se teletransportou com a criança que Edward matou. Isso já faz perceber que a raça de Renesmee é vulnerável a esse poder. Outra coisa, garanto que ele apenas tentou teletransportar Jacob na forma de lobo, na humana talvez eles não seja tão vulnerável. Sarah deve ter tido a chance de ser teletransportada, talvez não como lobo, mas como humana e isso ainda deixa os lobos em uma cruel desvantagem.-minha mãe observou com tristeza e eu voltei a ficar melancólica.
-A situação é pior do que eu imaginava...-meu pai entrou na sala.
-Olá, querido.-minha mãe se levantou para pegar a pasta de meu pai e colocar sobre a mesa de jantar. Antes, porém, os dois se beijaram rapidamente.
-Filha, não sei como agir diante dessa situação, Carlisle está vindo, Rosalie estava indo até a America do Sul. Mas pedi que voltassem, Esme também está vindo. Logo todos estarão aqui, talvez antes ou depois da meia noite.-meu pai relatou.
-Só vamos poder tomar providências quando o infeliz do Joham resolver aparecer.-tio Jasper comentou.
Olhei para minha mochila em cima do sofá, de La Push até aqui, tive que trazer, não sabia que voltaria cedo para casa. Tinha lições pra fazer, mas nem sabia se voltaria para a escola.
-É claro que vai voltar, como já sabemos com quem estamos lidando, isso deixa a vantagem de pelo menos saber que os humanos de Forks estão seguros. Joham não brincaria de novo com os Volturi. Nessie, porque não vai fazer sua lição de casa?-meu pai pediu e eu sabia o que aquilo queria dizer. Reunião fechada.
Resolvi ir para casa, fazer minhas lições. Passei pelo curto caminho de pedra que levava até minha casa, ouvindo os trovões. O cheiro de terra molhava inundava o ar. Entrei em casa e a chuva começou.
Abri meu caderno, havia exercícios de Física e História da América. Não conseguia me concentrar, mas acabei desenvolvendo as atividades e antes que a noite caísse, já havia terminado tudo.
Sete páginas de um e nove de outro foram fáceis de resolver, inteligência vampírica era a melhor coisa que eu podia ter herdado dos meus pais.
Olhei pela janela, a chuva que não parava, os trovões altos e os clarões dos relâmpagos tornavam o tempo nefasto, logo hoje, que Jake ia vir aqui falar com minha família.
Lembrando disso, fui tomar um banho, trocar de roupa. Parei em frente ao espelho, depois do banho, penteei meus longos cabelos ruivos, colocando uma tiara para elevá-los e tirar as mechas do meu rosto.
Vesti uma saia jeans, com uma blusa de manga comprida rosa claro, com uma camiseta por cima, branca. Sentei na cama e olhei no relógio do criado mudo.
Sete e vinte e oito. Um aperto no peito me fez perder o ar por um instante. Olhei pela janela, um relâmpago clareou e vi algo no vidro, uma silhueta talvez. Levantei da cama assustada. Mas logo relampejou novamente, e não havia nada lá. Eu estava começando a ficar paranóica.
Resolvi ficar com meus pais na casa do meu avô. E para minha surpresa, Carlisle já estava lá. Abracei ele com força, depois recebi um doce beijo na bochecha.
-Estava com saudades suas, vovô!-falei, segurando sua mão, enquanto íamos nos sentar no sofá.
-Esses dias que estive fora, resolvi adiantar alguns trabalhos no hospital. Cirurgias marcadas, exames, eu sentia que precisava deixar um tempo para ficar com a família.-ele disse, passando a mão no meu rosto. Abaixei a cabeça, e ele sorriu.
-Esme deve estar chegando, apenas Rosalie e Emmett devem chegar tarde. Mas ainda hoje teremos todos juntos.-meu pai suspirou.
Todos estavam melancólicos, e quando Edward sentou-se no piano, hábito que esses dias andava raro, senti meu coração se apertar ainda mais. Ele tocava uma valsa lenta de Chopin. Minha mãe estava encostada no piano preto, olhando os dedos do meu pai tocar as tecla com suavidade.
Aquela cena me comoveu. Assim que a valsa terminou, meu avô subiu, tia Alice e tio Jasper permaneceram aqui na sala. Agora o som que reinava, além dos trovões lá fora, era uma singela composição, chamada de A pastorinha, não me lembrava quem era o compositor, mas me lembrava bem, começava lenta, e depois o ritmo ia acelerando.
Ainda antes de ter quatro anos, eu fiquei meio fascinada com essa singela melodia, pedi a meu pai que me ensinasse, e ele me ensinou, era uma das poucas que eu tocava. Piano não era meu forte. Embora durante a minha curta infância eu o tivesse aprendido bem.
A chuva lá fora começava a cessar, imaginei que horas Jacob viria. Olhei no relógio branco da sala, eram oito e vinte, o tempo parecia se arrastar longe de Jake. Depois que descobri o meu amor por ele, sua vida se encaixou na minha de tal maneira que, mesmo que eu me esforçasse, não conseguia ver nada além de ter Jacob ao meu lado.
Assim novamente, me veio na cabeça minha imagem como vampira. Vivendo para sempre e submetendo Jacob a sua sina eternamente. Aquilo não era realmente uma vida.
Sinceramente, a eternidade não era tão boa assim, e mesmo eu não precisando me transformar para a ter, aquilo parecia mais real quando eu estava na forma de uma vampira completa.
Ouvi ao longe o som de uma moto. Jacob! Meu coração disparou. O que será que ele queria falar com minha família? Sem expectativas... respirei fundo, e me segurei para não ir até lá fora recebê-lo.
Quando aquele rapaz moreno, alto, musculoso, com os cabelos negros molhados e, mesmo estando com a temperatura baixa, vestindo uma blusa de algodão preta e um short marrom, entrou pela porta, tremi dos pés a cabeça, pensei que meu coração ia parar de bater por estar trabalhando tão rápido.
Olhei-o de cima a baixo e um arrepio me tomou. Meu coração começou a saltar no peito. Não ouvia nada além de suas pisadas entrando na casa. Não via nada além daquele sorriso banco, meio torto e sem graça se dirigindo a mim.
Asfixiei, como uma adolescente humana vendo seu grande astro do cinema pela primeira vez quando ele disse, sem emoção:
-Boa noite!
Depois de escutar essas duas palavras, voltei a mim, olhei em volta, meu pai sorria, não sei porque, talvez da minha grande insanidade e debilidade ao ver Jacob, ou até dos pensamentos de Jacob, não sei. Edward apenas sorria olhando o nada.
Meu pai fechou o piano e minha mãe olhou seus movimentos e o acompanhou até o sofá. Carlisle desceu assim que sentiu o cheiro de Jacob.
-Boa noite, Jacob!-meu pai cumprimentou.
-Olá, Jake!-minha mãe sorriu.
-Boa noite, lobo dos bloqueios!-tia Alice zombou.
-Como vai Jacob?-meu avô disse, ainda na escada.
-Melhor agora, Carlisle!-ele sorriu, me olhando.
-Então, vamos aos negócios?-meu pai sorriu, e eu ainda não sabia onde ele e Jacob queriam chegar naquele diálogo de pensamentos e palavras enigmáticas do meu pai.
-Se você quer tratar assim...-vi quando Jacob tirou do bolso uma caixinha.
Minhas pernas tremeram. Não podia ser! Era muito cedo, não havia um mês de namoro ainda. Eu não sabia o que fazer diante de uma simples caixinha preta na mão enorme de Jacob.
-Bem, vocês já devem imaginar o que tem dentro da caixa, e o que eu quero, certo Renesmee?-ele disse, vindo na minha direção. Apenas ergui uma de minhas sobrancelhas.
-Por que não é mais direto?-tia Alice implicou.
-Nunca fui muito de romance e todos aqui sabem...-Jake disse, ficando sem graça.
-Mas faça pelo manos a pergunta!-minha mãe sugeriu.
-Oh! Certo! Olha, não sei como ser mais romântico do que isso, então, me desculpe pelo mal jeito Nessie...
-E...?-meu pai interrompeu, eu estava um poço de ansiedade, de vergonha, de medo, de insegurança, de tudo.
-E... Renesmee Carlie Cullen Swan, aceita se tornar uma Black? Ou seja, se casar comigo?-desajeitado, mas com um charme só dele, seu pedido pareceu o melhor dos melhores.
-Aceito ser sua Renesmee Carlie Cullen Swan Black!-sorri e ele me abraçou.
Com um movimento devagar, ele retirou o... anel da promessa quileute? Seria outro? Não, era o meu, aqueles desenhos eram únicos, era o que eu tinha atirado em um canto na sala após nossa discussão na floresta, assim que Sarah me atacou.
Como ele havia achado? Puro descuido meu!
Cedi minha mão, sentindo arrepios por todo o corpo quando sua mão quente tocou a minha. Meu cérebro fervia, minhas mãos estavam tremendo quando o anel, pouco a pouco, foi deslizando no meu dedo.
Quando finalmente ele estava lá, nem consegui olhar nos olhos do meu noivo. Foi preciso que uma de suas mãos erguesse meu queixo para nossos olhares se encontrarem e finalmente nossas bocas.
Era o selo do compromisso.
Assim que nos separamos, ouvi palmas da minha família, estranho, mas tudo bem.
-Você não acha cedo demais?-meu pai perguntou, assim que nos sentamos.
-Não sei até quando eu vou durar, Edward. A morte é uma amiga que vem sem avisar...-dramático, ele disse.
-Não seja tão pessimista, meu jovem! Se nós bebêssemos eu ia sugerir um champanhe que tenho guardado aqui. Mas se quiser beber sozinho, posso pegar para você...-meu avô sugeriu.
-Não, beber sozinho não tem graça. Até porque essa é a comemoração de uma família.-ele falou, segurando minha mão direita, alisando o anel.
-Quando tudo isso acabar, vamos ter uma linda festa de casamento!-tia Alice sorriu e eu, por dentro, senti uma pontada na cabeça, só de imaginar alguma coisa espalhafatosa.
As fotos do casamento da minha mãe não estavam tão más, porém eu não queria muita gente e...
-Alice, essa festa será no estilo quileute. Se você não se importar, é claros...-com ironia, Jacob atirou.
-É obvio que me importo. É o casamento da minha única sobrinha!-tia Alice quase gritou, indignada.
-Olhem, podemos deixar pra decidir essa festa depois, estamos no meio de uma crise!-falei, meio sem jeito com aquelas decisões precipitadas.
-Concordo!-meu pai sussurrou.
-Certo, mas eu vou organizar, isso está mais do que decidido, lobo!
-Alice, não seja inconveniente, hoje ainda foi o noivado! Teremos tempo para pensar nisso logo após determos Joham.- vô Carlisle disse, fazendo tia Alice lhe olhar com uma careta.
-Como vamos detê-lo?-tio Jasper perguntou.
-Boa pergunta, meu caro Jasper!-ouvimos palmas fora da sala, vinham do alto da escada. Era uma voz macia, de um vampiro sedutor, meus pais e meus tios, se levantaram em questões de segundos.
Vô Carlisle foi o único que permaneceu imóvel no sofá. Joham estava em pé, encostado no corrimão da escada. Aparência dele era das melhores, não era a toa que seduzia muitas humanas.
Loiro, alto, rosto magro e fino, cabelos caídos na testa, lábios finos, roupas um pouco antigas e sociais. Um sorriso digamos que encantador. Aquele era o vampiro poderoso, que queria me matar. Meu peito se apertou, e minha mão sentia a leve pressão dos dedos trêmulos de Jacob.
Nos seus olhos negros, ódio faiscava. Meu pai tinha os dentes cerrados, toda minha família estava em posição ofensiva.
-O que veio fazer aqui?-meu pai rosnou.
-Ora Edward, buscar o que é meu por direito. Odiaria ter que matar sua filha, então vim propor uma troca justa. A quero, para estudá-la, para substituir meu precioso bebê que foi tirado de mim.
-Impossível!-minha mãe disse, cravando as unhas na palma da mão.
-Não há acordo nem troca, Joham! Você sabe o perigo que aquela criança representava!-vô Carlisle disse, já ao lado do meu pai, sem perder a calma.
-Não seja tão imparcial assim, caro Carlisle!-Joham se teletransportou mais dois degraus para baixo.
-Cuidado com seus movimentos, Joham!-tio Jasper, segurado por tia Alice, rosnou.
-Desculpem-me!-ele elevou as duas mãos, deixando as palmas abertas e virada para nós.
-Gostaria que pudéssemos ser mais racionais aqui. Não há motivos para troca, nem para lutas!-meu avô pediu.
-Infelizmente, não penso do mesmo modo! Anos, caro amigo, anos, tentando encontrar um vampiro invencível e quando o encontro, tenho-o retirado de mim! Isso não é justo! Imaginem a dor de tirarem a sua preciosa Renesmee de vocês! Na verdade, vocês em breve sentirão essa dor!-com um sorriso, Joham desceu, não por teletransporte, mas com movimentos cautelosos mais um degrau.
-Não vejo como!-meu pai quase gritou, entre seus dentes cerrados.
-Vim tratar exatamente disso. Quero sua preciosa Nessie, ou então, se não houver acordo, proponho uma luta decisiva, não justa, mas de igualdade singular.
-Não há possibilidades disso acontecer!-minha mãe balançou a cabeça. Seus olhos apertados em direção a Joham.
-Minha querida Bella, se ponha no meu lugar! Ou muito em breve a terei no mesmo. Simplesmente exponho desse modo a situação. Só há esse modo, por mal, para resolvermos esse impasse. Fui muito cordial de estar aqui, ainda conversando. Planejei muitas vezes um ataque silencioso na escola da garota. Mas como minha situação com a poderosa família da Itália não é das melhores, resolvi recuar. Não quero vampiros italianos envolvidos. Por isso essa conversa.
-Joham, não seja tão ambicioso e prepotente. Não há como você nos vencer!-tia Alice tentou blefar.
-Sangue suga sujo!-Jacob rosnou, dando um passo pra frente. Eu segurei apertadamente sua mão fervente e tremula na minha.
-Oh, lobo! Alfa, você que consegue me deter. Por isso quero seu bando nojento fora da luta, para torná-la mais justa!-ele disse, gesticulando com as mãos.
-Nunca!-Jacob gritou, seu corpo inteiro tremia.
-Jacob, se controle, não vale a pena o confrontar nesse momento!-meu pai aconselhou.
-Não sei se vou conseguir...-ele sacudiu a cabeça e voltou a olhar Joham.
Confesso que meus movimentos estavam limitados. Não falava nada, nem sequer me movia muito, só olhava para os gestos dos vampiros e do lobo ao meu redor.
-Renesmee não pode ser sua, Joham, não há como tentar levá-la. Ela não é mais criança. Desista dessa ideia.-meu avô disse.
-Não importa mais, Carlisle! Não a quero também com tal revolta. Apenas quero fazê-los sofrer a perda de quem se ama. Só isso. Não falarei mais nada além das minhas condições. Quero uma luta justa, não teletransportarei ninguém, porém não quero lobos na luta!
Jacob rosnou, e deu mais um passo a frente, o puxei de volta. Seu corpo mal se movia.
-Ao final desse mês, Alice com seus fantásticos poderes verá, eu estarei a sua espera. Creio que não levarão a pequena Renesmee, assim verão melhor o futuro e nem os lobos. Tenho minha segurança garantida. Assim firmamos um pacto. Teremos uma luta, com todos os Cullen apenas, terei imenso prazer em derrotar todos. E por ultimo, caçar sua pequena e preciosa Renesmee. Mesmo que não sofram após a morte, mas pelo menos saberão, ao morrer, que ela sofrerá mais do que qualquer um de vocês!-ele disse isso fechando os punhos. Tinha ódio em suas palavras.
Me arrepiei e ouvi toda minha família rosnar. Não pude segurar Jacob, seu corpo tremeu e em poucos segundos tínhamos um enorme lobo subindo as estreitas escadas e pulando em cima do que antes era Joham.
-O pacto está firmado. Espero vê-los em breve!-Joham sumiu no ar, e Jacob pulou novamente, desta vez, parou antes de alcançar a sombra de Joham.
Minha família, ainda permaneceu imóvel por alguns poucos segundos, antes de fazerem movimentos lentos e melancólicos, ao final, todos olhavam pra mim com olhos estreitos. Lágrimas começaram a rolar do meu rosto.
Vi Jacob me olhar com aqueles olhos de lobo. Minha mãe abriu a porta e ele, com um pouco de dificuldade passou por ela. sentei no sofá transtornada, meu coração doía.
-Não se sinta assim, filha, não é sua culpa nada disso. É minha culpa e tenha certeza, vou reparar esse erro.-meu pai disse, afagando meus cabelos, em pé atrás do sofá.
-Você só não, meu filho, todos nós!-vô Carlisle corrigiu.
-Que seja.-duramente meu pai assoviou.
Enxuguei minhas lágrimas e olhei em volta, vi no rosto perfeito de minha mãe a dor emanar onde seus olhos não podiam derramar lágrimas, mas seu rosto já se transfigurara em uma fisionomia totalmente deformada de torturante tristeza.
O rosto de mármore de meu pai estava duro, sem expressões. Carlisle tinha a fisionomia pensativa, tia Alice abraçada em tio Jasper, mantinha seus olhos longe, talvez tentando ver através do confuso destino da família Cullen.
-Esme acaba de chegar a Forks, estará chegando daqui a dez minutos...-tia Alice comentou, sem olhar para ninguém na sala.
-E da luta Alice, o que pode ver?-minha mãe perguntou.
-Vejo muito inconstantemente alguns movimentos. Nessie não está envolvida em muitas delas, em outras não vejo quase nada, creio que Renesmee e os lobos devem estar no meio.-ela falou um pouco desanimada.
-E a data?-tio Jasper quis saber.
-É um dia de sábado. O ultimo sábado desse mês!-tia Alice disse, olhando o nada em sua frente.
-Ótimo dia para matar vampiros! Adoro acabar com eles no final de semana.-Jacob apareceu na porta já vestido com apenas um short preto e descalço.
Todos o olharam. E ele veio e se sentou ao meu lado.
-Esse sanguessuga desgraçado nem saberá o que o atacou.
-Jacob, acho melhor não envolver seu bando nessa briga. Melhor fazer do jeito dele.-minha mãe disse.
-Bella, isso não é o certo a fazer! Ele mexeu com meu bando! Ele colocou uma intrusa, droga, lá dentro! Inferno! Não vou ficar de fora, nem que eu entre sem a vontade de vocês!-decidido, aquele lobo teimoso disse.
-Pela Renesmee, Jacob, pela segurança dela!-vô Carlisle pediu.
Jacob não falou nada, apenas ficou pensativo.
-Seja sensato Jacob.-meu pai disse, creio que lendo os pensamentos de Jake.
-Apenas vou seguir meu coração...-Jacob disse e se levantou, se dirigindo a porta.
Olhei para a cara sem expressões do meu pai, que baixou o olhar. Segui Jacob até do lado de fora. Desci as escadas da porta e acompanhei-o já no ultimo degrau.
Num movimento rápido, suas mãos quentes envolveram meus pescoço e me apertaram contra seu corpo quente. Seus olhos estavam nos meus diante da luz fraca da frente da casa.
Logo após essa troca de olhares, seus lábios vieram aos meus. Sua mão esquerda, com cuidado desceu pelas minhas costas, me deixando arrepiada. A outra segurava minha nuca com delicadeza.
Minhas mãos apenas seguravam aquele fervente e pulsante pescoço. Seus lábios deslizavam nos meus, com força e rapidez, no que depois foi se tornando um beijo calmo e lento.
-Eu te amo, minha noiva!-ele sussurrou.
-Eu também te amo, meu noivo...
-Até que a morte nos separe!-ele disse em um tom sombrio. Isso fez meu corpo tremer. O medo de não ter mais Jacob me deixou tonta. Suas mãos me libertaram e sem dizer mais nenhuma palavra, meu noivo Jacob Black se foi mediante a escuridão da noite.

26 de jul. de 2010

“Os vampiros que se mordam”: A sátira de Crepúsculo

Ps : Eu amo e sou fã da saga Crepúsculo, mais chega a ser engraçado, e só postei, ah, porque era o certo a fazer KKK 




Que quase sempre, depois de um filme de grande sucesso, os estúdios de Hollywood costumam lançar uma sátira sobre o assunto, isso não é novidade para ninguém, e com o fenômeno cultural do momento “Crepúsculo”, não podia ser diferente, ele não foi o primeiro e nem será o último filme a ser motivo de muitos risos. No dia 18 de agosto, terá sua estréia nos Estados Unidos, a comédia “Os vampiros que se mordam” (Vampires Suck), que é feita principalmente com as cenas da história de Edward, Bella, Jacob e companhia, e em outros filmes quem vem fazendo sucesso nos últimos anos. 
Ao melhor estilo da famosa série de longas, “Todo mundo em pânico”, que fez muito sucesso no começo dessa década, “Os Vampiros que se mordam”, com muito bom humor, não perde a chance de fazer piadas com artistas e produções que estão brilhando no momento.
O filme satiriza desde a cantora mais polêmica da atualidade, 
Lady Gaga, até uma das bandas mais queridas dos dias de hoje, o Black Eyed Peas. E quem também não ficou de fora da divertida história foi Alice de “Alice no país das maravilhas”.
O Filme é escrito e dirigido por 
Jason Friedberg e Aaron Seltzer - famosos cineastas, canadense e americano, conhecidos por fazerem paródias nesse estilo. Ele conta no elenco com a presença de Matt Lanter, Annelise van der Pol, Charlie Weber, Ken Jeong, entre outros artistas.Confira o Trailer Legendado de “Os Vampiros que se mordam”, logo abaixo:



O Livro de Renesmee :j

9. LOBO EM PELE DE CORDEIRO

“Agora pegamos ele!”-pensei alto, enquanto todo o bando se concentrava em uma ponta da clareira onde o invasor foi acuado. O vampiro parecia cansado, ou queria apenas nos cansar. Todo o bando estava envolvido, dos menores aos maiores, todos.
Esse era meu medo. Da história de Sarah se repetir. E ela estava com a gente, apoiando o bando.
“Ele vai escapar...”-Quil pensou, quando finalmente rodeamos a clareira.
“Não façam movimentos apressados, ao meu sinal...”-eu comecei a me aproximar, sentindo meu coração pulsar forte.
O sugador de sangue era traiçoeiro, e como os Cullen haviam pensado, era verdade o tal poder de teletransporte, isso era o que mais me fazia odiar aquele sanguessuga fujão.
Quando meus passos se tornaram mais precisos, algo parou exatamente em minha frente, era um desafio. Todos os lobos se prepararam. Vi, em meio a escuridão, seu sorriso triunfante. Congelei. Rosnei para a figura na minha frente, ele permaneceu imóvel, então preparei o bote e pulei, todo o bando avançou, mas, quando pensei ter pego a cabeça do monstro em cheio, estava com a boca cheia de ar.
Virei, rápido, mesmo sabendo que Jared guardava minhas costas. Eu agora estava no meio da clareira, e o sangue suga simplesmente evaporou. Rosnei, selvagem. Aquilo me deixava a ponto de explodir...
Talvez se eu estivesse como humano, eu já teria explodido tudo, desde meu corpo, até o corpo do lobo. Não corria mais adrenalina nas minhas veias, apenas sangue quente, pulsante de ódio.
“O que vamos fazer?”-Brady pensou, me interrogando.
“Revirar a reserva...”-pensei com ira. Até meus pensamentos estavam emanando ódio.
“De novo?”-Embry fez corpo mole.
“E quantas vezes forem necessárias!”-sem controle, rosnei para ele, que apenas recuou, e vi todos os pensamentos do meu bando silenciarem. Não era muito justo aquilo, afinal, estávamos na cola daquele sugador de sangue a noite quase toda. Os lobos estavam cansados.
“E como estamos!”-Sarah pensou, sentando-se.
“Foi mal, acho melhor vocês irem descansar... o dia está amanhecendo, não é justo. Principalmente pra Collin e Brady, que tem aula na reserva. Vão...”-pensei, me pondo em posição de partida.
“E você?”-Sarah pareceu assustada. Por trás daquele pensamento passou outro, como indignação.
“Vou continuar. Agora vão!”-ordenei, e todos me obedeceram, o alfa tem esse poder, o que é uma boa, poupa discussões.
Vaguei ainda um tempo pela floresta, maldito vampiro idiota! Não deixava rastro, nem cheiro, nem merda de nada para podermos segui-lo. Apenas sua presença, mas agora ele parecia não está lá. Ou aqui, ou em lugar nenhum.
O dia amanhecia, preguiçoso, sem sol, as nuvens pretas iam ficando mais claras. Pensei em fazer uma visita a Nessie, eu estava preocupado. Essa noite foi ruim, meu instinto de impressão me machucou muito, sempre indicando perigo.
Mas ela estava em casa, com muitos vampiros lutadores ao seu redor, e eu tinha meu bando, por isso, quanto mais me aproximava da casa dos Cullen, mais eu me sentia aliviado, como se eu estivesse chegando em casa.
Isso me fez recuar um pouco, esse sentimento de “Lar doce lar”, em um lugar que eu não queria muito ficar me dava sérios enjôos. Assim que avistei o telhado do chalé onde Nessie morava, meu coração disparou, minhas pernas automaticamente se projetaram para correr mais rápido, e eu corri.
Alguns metros antes, desfiz a transformação, coloquei minha roupa costumeira, e fui andando em direção a janela do quarto dela. Estava fechada. Bati no vidro, e logo vi cabelos ruivos e olhos achocolatados me encarando, e sorrindo, mas um sorriso meio que preocupado.
A droga da impressão me apertou. Milhões de agulhas transpassaram meu peito. Franzi a testa, tentando disfarçar a dor. Quando ela abriu a janela para que eu pudesse entrar, que vi a porta no chão, congelei.
-O que...-comecei, meio paralisado. Ela apenas em abraçou, e a dor vazou, escorreu para fora, me deixando com uma sensação de alívio divina.
-Não quero te preocupar...-com o rosto em meu tórax, ela sussurrou.
-Eu já estou preocupado. O que aconteceu?-retirei com cuidado seu rosto de perto de mim e encarei aqueles olhos. Não sei, mas em seu rosto encontrei uma paz realmente impossível, pelo menos naquele momento.
-Recebi uma visitinha noturna ontem...-ela brincou.
-Não!-rosnei, um pouco alto demais. Era cedo ainda, acho que umas cinco da manhã. Nessie ainda estava de pijama.
-Não o que?-ela me olhou preocupada.
-Ontem perseguimos um vampiro, ou ele perseguiu a gente, não sei... bem que meu instinto me advertiu a noite inteira... ele te fez alguma coisa? Não, por que se fez...
Meu corpo inteiro tremeu, me afastei de Renesmee, para tomar um pouco de ar, o calor subiu, uma onda de ódio novamente me tomou.
-Não, não se preocupe. Aquela porta no chão é sinônimo do salvamento do meu pai...-ela sorriu, olhando a porta jogada no chão.
Renesmee tinha um estranho senso de humor, quando se tratava de perigo. Sentei na sua cama, já controlado, baixei a cabeça.
-O que foi? Não se preocupe! Estou bem, vê?-ela deu uma curta volta, e eu olhei seu corpo, aparentemente bem.
-É minha função te proteger! Não posso deixar você assim tão vulnerável! Hoje, depois da sua aula, você vai ficar em La Push! Não quero você sozinha aqui! Entendeu?-olhei para sua cara indiferente.
-Ok, senhor alfa! Mas lembre-se, sou apenas sua namorada, não um membro do seu bando!-ela contorceu os lábios em um charmoso biquinho. Eu suspirei e ela se sentou ao meu lado.
-Eu sou um péssimo namorado!-desabafei.
-Não! Você é maravilhoso! E eu, particularmente, não acho seus cuidados de impressão muito saudáveis pra mim e pra você! Parece que você está comigo por obrigação...-ela abaixou a cabeça também.
Senti que não era bom demonstrar minha preocupação com ela assim, tão na cara. Ela não devia se sentir um fardo pra mim, não mesmo!
-Olhe, não vamos mais falar disso, certo? Passe o dia em La Push comigo e com os garotos! Prometo que será divertido! Nada de super proteção do lixo da impressão!-falei, vendo um sorriso nascer em seus lábios rosados.
-Combinado!-ela consentiu, e nossos rostos foram se aproximando, no que iria ser um beijo. Edward estava na porta, recuei, não por pudor, ou vergonha, mas porque o clima realmente não era de romance, e percebi isso em seus olhos pesados e suas olheiras roxas.
-Então o vampiro apareceu para seu bando?-ele me olhou, já sabendo a resposta.
Eu odiava ter que ficar repetindo, principalmente pra ele.
-Não apareceu, apenas perseguiu a gente, e depois perseguimos ele, do tipo Tom e Jerry.-falei, olhando pela janela. Nessie apertou minha mão, me fazendo arrepiar com seu toque.
-Não deu pra ver ele... mas pense comigo... ele apenas distraiu os lobos, para não ficarem perto daqui, mesmo fugindo depois do ataque a Nessie. Isso deu a ele a vantagem do seu bando não saber da visita dele essa noite. Assim, os lobos teriam que ter cuidado com seu território, e não mais rondarem por nossas terras.-Edward concluiu, e sua lógica fazia sentido.
Olhei para Nessie, e me levantei. Precisava conversar com Edward longe dela. Esses assuntos deixariam ela muito preocupada, se sentindo uma causadora de problemas.
-Sim, sim. Me siga até o...
-Jake? Bom dia!-Bella apareceu na porta assim que Edward foi saindo.
-Nem tão bom assim, Bells...-suspirei e ela entendeu.
-Onde vocês vão?-Renesmee se levantou e segurando ainda em minha mão, me deteve.
-Apenas conversar táticas de defesa, melhor você ir se arrumando para a escola...-Edward sugeriu, ouvindo seus pensamentos. Seus olhos miravam Nessie de um jeito carinhoso, como muitas vezes eu vi ele olhar Bella.
-Ainda é cedo...-insistiu ela, apertando minha mão. Nossos olhos se encontraram e os meus se estreitaram, em um... “Me deixe ir!”.
Sua mão soltou a minha e nós três seguimos até a sala de Edward, acho que era um escritório, sei lá. Cheio de livros em cima de uma mesa. Poucas vezes eu tinha entrado nessa casa toda.
-Então quer dizer que o vampiro perseguiu seu bando?-Bella perguntou, já no escritório. Edward me ofereceu uma cadeira, mas eu preferi ficar de pé. Ele também não se sentou, ficou de pé ao lado de Bella, que estava sentada na cadeira da mesinha.
-Sim, sim. Ele nos perseguiu, depois o jogo inverteu, começamos a perseguir ele, até que ele desapareceu. Como Tom e Jerry. Esse sugador de sangue é forte, ou poderoso. Apenas foge, e não conseguimos pegá-lo, não sós.-admiti a fraqueza, esquecendo do orgulho, porque o que estava em jogo era muito mais do que superioridade de raças, mas sim segurança, não só do meu bando, mas a da Nessie.
-Ele queria ter os lobos longe das nossas terras, mesmo depois do ataque. Assim, os lobos ficariam indecisos, ou acabariam por ficarem defendendo suas terras, deixando livre o caminho para as nossas. Sem os lobos para atrapalhar, nós seríamos fáceis de vencer, menor número, menos trabalho para driblar.-concluiu Edward.
-Isso faz sentido.-concordei.
-Pelo menos sabemos o que ele quer...-com olhos perdidos, Edward balbuciou.
-Renesmee?-eu asfixiei. Meu coração acelerou.
-Mas por quê?-Bella perguntou, indignada, olhando para a expressão perdida de Edward.
-Não sei... ou sei sim!-Edward se surpreendeu com seu próprio pensamento.
Bella e eu automaticamente olhamos para ele.
-Vingança! Pode ser algum filho de Joham querendo vingança! Não sabemos quantos filhos ele fez, nem que ligação tinha com esses filhos! Devemos entrar em contato com Nahuel. Vou ligar agora para Rosalie. Emmett e ela poderão pegar um vôo de Nova York até a America do Sul hoje mesmo. Nós não podemos sair daqui.
-Não temos certeza de que Nahuel sabe algo, Edward...-Bella se levantou e abraçou o marido.
-Mas qualquer coisa, meu amor, nos ajudará. É nossa família! Ainda que não estejam todos aqui, mas se for possível, juntaremos todos, do clã de Denali, até os egípcios novamente. Não fiquei em Forks tanto tempo para um outro vampiro com sede de vingança destruir minha família!-com emoção, Edward disse, olhando nos olhos dourados de sua mulher.
Esse lado eu admirava na família Cullen. Sempre unidos, como no meu bando. Um protegeria o outro até a morte. Observando essa cena, não notei quando Nessie apareceu na porta.
-Filha!-Bella disse, surpresa, indo abraçá-la. Ela parecia triste.
-Nessie, não sei se será bom te deixar a par dessa situação toda.-Edward se aproximou da filha.
-Como você disse, papai, é nossa família, eu estou envolvida também, nada mais justo do que saber tudo que se passa.
-Como faremos então? Nessie continuará indo para a escola?-Bella quis saber, e todos nós olhamos a face pensativa de Edward. Ele olhava apenas para a cara interrogativa de Nessie, lendo sua mente.
-Não será necessário. Creio que como Demetri apareceu a Joham e o perseguiu, sua família deve estar ciente disso. Porém, também fico preocupado. Não sei se esse vampiro leva isso em consideração, se esse foi o mesmo que atacou as pessoas no Alaska.
-Olha, Nessie pode ficar em La Push. Mesmo que o bando não dê conta desse vampiro, mas lá ela não estará sozinha...-sugeri.
-Pela tarde, você Jake, levará ela então para La Push. Hoje mesmo providenciarei um afastamento na faculdade para cuidar desses assuntos. Onde esta Alice? Ah! Certo, está vindo. Bem, Bella e Alice podem ir sem sobressaltos hoje para a loja, e eu irei trabalhar, mas apartir de amanhã, teremos que ficar todos juntos.-abraçando Bella e Nessie, Edward disse, como se aquele abraço selasse um acordo, um juramento.
Fiquei só olhando até que Edward saiu, deixando Bella e Nessie aqui comigo. Ambas me olhavam, sem saber o que dizer.
-Bem, vou indo. Organizar as turmas da ronda, mas a tarde ficarei em La Push, esperando você!-falei, e fui saindo, elas vieram logo atrás de mim.
-Jacob, espere.-Bella disse, indo até o quarto, e Nessie a acompanhou. Fui até a sala e me sentei. Olhei para algo brilhante em baixo do sofá. Abaixei e peguei. Era um anel, o anel que eu tinha dado a Nessie, quando criança.
Suspirei, o que ele estaria fazendo aqui? Peguei e coloquei no bolso. Mais tarde perguntaria a Nessie por que estava no chão.
-Aqui está.-Bella me estendeu uma caixa, embrulhada em um papel prateado. Com cuidado, peguei a caixa da sua mão. Olhando em seus olhos, com movimentos lentos, fui rasgando o embrulho. Nessie sorria de excitação.
Era um celular. Balancei a cabeça, rindo. Era um iPhone da Apple preto, devia ser caro também.
-Hum, me colocando com tecnologia ein? Mas você sabe que nunca fui muito fã disso! Como vou carregar? Num bolso de pelo? Amarrado na minha pata dianteira? Não sei se isso vai funcionar...-relutei, sem abrir a caixa. Vi o celular por lá mesmo.
-Não pense assim Jake. É um bom meio de mantermos contato. Esqueceu que apenas Edward lê mentes? E sem o poder de Alice para nos guiar, bem, fica difícil agir. Fique com o celular. Edward insistiu muito para que eu insistisse para você ficar com ele.-Bella observou.
-Ok! Eu posso ficar com ele, só não sei se vai durar muito, sabe como é? Muita correria, muitas explosões de calças no ar.-sorri, sabendo que isso aconteceria muito cedo.
-Não há problema quanto a isso. Temos infinita variedade desses celulares!-Bella sorriu.
-Hum! Meu número já está aí, e o número de todos aqui!-Renesmee sorriu, sentando ao meu lado.
-Que bom! Mas me digam, já tem crédito? Comecei a trabalhar na oficina do Sam faz pouco tempo, ainda não deu pra entrar muita coisa sabe?
-Duzentos dólares dá pra você?-Bella disse como se falasse em dez dólares.
-Não, se eu liga para toda Seattle acho que é pouco!-brinquei, colocando o celular no bolso do short.
-Bem, devo ir agora... me arrumar para a escola!-Nessie disse, olhando no visor do seu celular.
-Que horas?-encarei seus olhos e ela desviou eles rapidamente, ficando vermelha.
-Sete e dez...-ela sussurrou de cabeça baixa.
-Alice deve estar me esperando. Bem Jake, boa sorte com o celular, e cuidado com esse vampiro, não deixe que os lobos se separem...-Bella aconselhou, deu um beijo na testa da filha, encarou ela com olhos apertados e se foi. Acho que tudo já tinha sido dito entre as duas.
Meu medo de perder Nessie começou a me apertar, por várias vezes a frase “Não vá pra escola, fique comigo na reserva” escorregou até minha língua, mas prendi ela para não falar.
Renesmee não abriria mão de ir a escola só por causa de um medo besta, até porque era seu segundo dia de aula. Não era justo. Segurei firme na sua mão, seus olhos miraram os meus com cuidado, ela mordeu seu lábio inferior e encostou sua testa na minha.
Beijei Nessie, como se não fosse mais ter a oportunidade de ficar com ela. A impressão me castigava, me fazia querer ficar ao lado dela, mas minhas obrigações de alfa eram mais que um dever, era parte de mim tudo aquilo, mais do que a impressão.
E no fundo eu sabia que ela iria ficar bem.
Levantei, ela me olhou, separei nossas mãos e fui andando sem virar pra trás, o dever me chamava, ultimamente eu tinha repetido muitas vezes aquilo pra mim mesmo, mas era a verdade, fazer o quê?
Fui em direção a floresta, tirei o short, amarrei com um folgado e imenso espaço, para caber a pata grande, e tremi, logo não sentia mais meu dedos, só o peso do corpo sobre as patas dianteiras. Sacudi os pelos vermelhos e saltei em direção ao caminho para La Push. Os garotos deviam estar me esperando.
“Onde você tava Jake? Pô! Esperamos a manhã toda!”
Ouvi, ainda distante, Jared reclamar, ele detestava acordar cedo, principalmente quando a noite tinha sido pesada.
“Foi mal a demora, assuntos particulares...”, pensei, ironicamente, e ouvi pensamentos se descontraindo e zombando, eram Embry e Seth.
“Onde está o Quil?”, perguntei já me aproximando da reserva.
“Dormindo...”, alguém pensou rindo.
“Como se desse pra dormir com um chamado alfa!”, Quil exclamou, com pensamentos lentos. Estava chegando ao estado de lobo agora.
Era muito bom esse tipo de comunicação, parecia um bate papo telepático. Poupava sessões presenciais. Mas por outro lado, e esse lado sempre ganhava, era a privacidade.
“Beijão ein?”, Quil zoava, e eu, apenas rosnava, desejando está perto dele para arrancar pedaços de seus pelos.
“Se acalme, chefe! Brincadeira!”
É, o humor do líder também era muito levado em conta pelos demais, isso era... recompensante!
Corri mais rápido e logo avistei a clareira onde os garotos estavam.
“Até que enfim!”, pensamentos muito positivos me receberam.
As caras daqueles lobos não estavam tão animadas.
“Qual é pessoal! Vejam pelo lado bom! Exercício pela manhã faz bem!”, brinquei, mas não ouvi ninguém achando graça.
“Ok! Vamos aos negócios! O sanguessuga atacou a casa de Edward ontem...”
“E eles estão bem?”, Seth saltou vindo para minha frente assustado. Seu rabo balançando loucamente.
“Sim Seth, controle esse seu nervosismo. Preciso de rondas matinais envolvendo desde o território dos Cullen até aqui.”, coloquei sobre a mesa minha ideia, esperando a rejeição.
“Certo, vamos nos dividir?”, sem nenhum pensamento revoltado, Jared perguntou calmo, se levantando e os demais repetiram seu movimento. Todos pressentiam o perigo.
“Não quero dividir, não sei o que aquele desgraçado está planejando...”
“O que ele queria na casa dos Cullen?”, preocupado, Seth perguntou.
“Parece que ele quer vingança. Os Cullens mataram um parente lá do cara e ele quer tirar a vida da Nessie em troca.”, com um enorme aperto no peito, falei.
“Esses sugadores de sangue não são nada originais!”, Quil resmungou.
“Mas os Cullens também se metem em tantas encrencas! Acaba sobrando pra gente...”, Jared pensou, lembrando dos tempos atrás, de Bella como humana.
“Certo, vamos deixar as lamentações de lado... mas espera um pouco! Onde está a Sarah? Que eu me lembre eu falei com todos, eu disse a todos a ordem...”
“Não me lembro de ter visto ela lá em casa pela manhã...” Seth pensou, em seus pensamentos era claro a visão do que ele fez essa manhã.
“Ei, dá pra não se lembrar de tudo!” Embry pensou alto, dando um empurrão no lobo ao seu lado.
“Foi mal. Mas não vi ela não!”
“Estranho. Mas devemos seguir, não temos muito tempo. Não quero duas equipes, não devem se separar, vamos cobrir grande terreno, e com rapidez, afinal não podemos deixar La Push na mão. E a caçada começa... agora!” uivei, e todos os garotos se dispuseram em posição de corrida.
Dei o impulso, sentindo meu corpo ferver. Queria encontrar esse sugador de sangue idiota e acabar de vez com tudo isso.
Corremos em direção as terras dos Cullen, não era um território extenso, tirando a cidade, mas o céu estava com poucas nuvens essa manhã, talvez o sol aparecesse assim ele não poderia aparecer a luz do sol.
Era meio dia, ou mais quando paramos no ponto inicial. Nessie deveria ter ainda mais duas ou três horas de aula ainda. Meu temperamento nunca foi dos mais pacientes. Resolvi correr até a casa dela para me certificar de que estaria tudo certo.
“A impressão!” Jared pensou, já se preparando para voltar a sua forma humana.
Não dei ouvidos, meu estômago roncava forte, mas eu não me importei, continuei correndo.
Mas uma sombra, quer dizer, uma flecha cinza me parou, alguém estava correndo entre as árvores, seu pelo sob a quase luz do sol era reconhecível. Sarah. Mas não ouvia seus pensamentos. Estranho.
Não me aproximei, mas ao ver que ela parou, a uns duzentos metros na minha frente, dei alguns passos, ela teria me visto?
Com certeza estava sentindo meu cheiro.
“Jake?”seu pensamento se voltou para mim, e algo em cima da árvore em sua frente simplesmente desapareceu. O vampiro?
“Onde?” rápida, ela se virou.
“Na sua frente, pensei ter visto ele na sua frente!” me aproximei com passos cautelosos.
“Não!”
Ela pensou rápido demais.
Só senti o cheiro do sangue suga assim que me virei, mas ele já tinha minas costas presas em suas mãos. Seu sorriso era de triunfo. Não reconheci aquele rosto, ele parecia novo, não mais do que uns vinte e cinco anos na época da mordida.
-Sarah, avise aos outros que fiquem na reserva, diga que o líder deles ordenou.
A voz de comando me fez congelar, eu estava com os olhos naquele sanguessuga nojento, que tinha suas mãos frias encostadas ao meu pelo.
A loba cinza consentiu com a cabeça e saiu dali, me deixando só.
“Sarah! Ela era aliada do vampiro?”
“Não pense mal de mim...” foram seus últimos pensamentos.
-Agora, grande alfa, vamos dar uma voltinha!-ele exclamou, me girando no ar.
Caí como um gato, sobre as patas, e avancei. Seu corpo permaneceu imóvel e depois disso ele pulou em uma árvore.
-Droga! O que deu errado?-ele olhou para suas mãos desesperadamente.
Deu errado? O quê? Me perguntei também. Mas só depois de tentar pular na árvore para derrubá-la é que vi ele se transportar e saquei. Ele não conseguiu me levar com ele. Será que isso era verdade?
Novamente senti suas mãos frias, e deixei que ele tentasse mais uma vez. Arriscado? Um pouco, mas eu não perderia a chance de testar seus poderes.
Nada aconteceu. Ele sumiu só, e não apareceu mais. Vigiei minhas costas, aguardei ainda, mas nada. Frustrado, o covarde deve ter amarelado e fugido.
Meu trabalho agora era encontrar a traidora! Capturá-la e fazer com que seu chefe viesse até nós. Mais rápido do que um raio, corri para a reserva de La Push, mas não encontrei ninguém por lá.
Sarah também havia sumido.

23 de jul. de 2010

O Livro de Renesmee :j

8.PRIMEIRO DIA DE AULA
Olhei pela janela, entre os arbustos que cercavam a casa, ao que me parece estava nublado.
-Nessie, levante, hoje é seu primeiro dia na escola em Forks...-não sei se era a voz da minha mãe ou a voz da minha consciência.
Escolhi uma roupa a qual tia Alice classificaria como sem graça ou até feia, dependendo do seu humor. Uma calça jeans preta, blusa pólo branca com um pôlver roxo por cima, a gola branca sobressaindo pelo pôlver. Calcei meu tênis favorito, Nicke preto de cordão branco. No meu estilo eu estava, mas pela cara de tia Alice que acabava de entrar no quarto, nem tanto.
-Eu e sua mãe temos uma loja de roupas legais... Te damos as roupas mais legais ainda e você se veste assim?-ela disse e eu me olhei de cima a baixo.
-Não estou tão mal.-falei, arrumando meu cabelo ruivo e percebendo a cara pensativa de tia Alice.
-Falta algo...-ela refletiu com um dedo no queixo- Ah! Sim! Já volto.
Rápida ela saiu e eu, bem, eu torci pra não ter que trocar de roupa.
-Aqui está!-ela voltou com uma linda boina branca nas mãos.
-Obrigada!-coloquei a boina na cabeça e pensei “Estou até bonita!”.
-Está linda, afinal, você é linda.-meu pai sorriu da porta do closet.
-Ok! Missão cumprida! Hora de ir pra loja. Fazer a maquiagem!-os olhos de tia Alice brilharam, ela sempre ficava muito empolgada quando o assunto era mudar o visual.
-E então, vai querer carona?-meu pai ofereceu, na porta da garagem.
-Hum... Tenho opção?-desanimada, perguntei, ajeitando a mochila nas costas.
-Ei! Ir pro primeiro dia de aula no colegial de carona com os pais... Não é o estilo Cullen, certo?-tio Jasper deu uma forcinha.
-Ah, Edward! Meu pai conversou comigo lá na loja a respeito da Nessie de moto...-minha mãe falou, entrando na garagem com tia Alice do lado. Aquela maquiagem deixava as duas realmente velhas.
-E...-meu pai olhou interrogativo, sem poder ler os pensamentos da minha mãe, ela não era muito a fim de ficar mostrando eles ao meu pai.
-E ele disse que tudo bem, se ela não saísse de Forks ou não desse entrada no hospital.-minha mãe sorriu, entrando no carro com tia Alice.
-Bem, sendo assim...-meu pai suspirou, entrando no Prisma preto.
-Nessie, pega!-tio Jasper jogou a chave da moto.
-Boa aula, querida!-tia Alice desejou.
-Cuidado, nada de atropelamentos!-tio Jasper riu, olhando meus movimentos.
-Tchau filha!
-Tchau mãe!
Liguei a moto, quando os carros de tia Alice e o do meu pai saíram, e saí também da garagem com um estranho frio na barriga. Será que eu iria me dar bem com tantos humano s? Só lá pra saber.
A estrada estava molhada, essa noite tinha sido chuvosa e fria. Senti meu instinto acusar como se alguém estivesse me seguindo. Acelerei vendo a água espanar, a boina estava dentro da bolsa e o meu capacete preto cobria meus cabelos. Eu já tinha uma noção do que encontrar, pelo que minha mãe e meus tios haviam me falo, mas não foi isso que eu encontrei.
O prédio estava maior, a frente havia sido reformada, afinal Forks havia crescido de seis anos pra cá, pouco mais cresceu.
Assim que estacionei, fiquei tão concentrada em olhar o lugar que nem percebi dezenas de olhos em cima de mim. O estacionamento estava lotado de adolescentes e alguns pais. Coloquei minha boina, acho que não demorei meio segundo, e olhei pra frente. Andie saltava de um carro prata quatro portas, logo que me viu sorriu.
-Bom dia! Primeiro dia ein?-ela disse, assim que encontrei-a, sua voz tinha um tom de excitação.
-Bom dia Andie! Oh! Sim! Vamos entrar?- sugeri .
-Claro. Vamos lá.
Começamos a andar em direção a entrada principal do prédio, eu com a cabeça um pouco baixa, não dando atenção aos olhos curiosos que me observavam.
Entramos acho que no corredor principal, paramos, Andie parecia indecisa, olhou para os dois lado e suspirou.
-Que tal irmos até a secretaria pegar nossos horários?-sugeri tendo com base os conselhos da minha família.
-Oh! Sim. É o certo a fazer.-ela sorriu e seguimos. Agora que estávamos em um ambiente mais fechado, senti os cheiros mais fortes, concentrados e isso fez minha garganta arder.
Me controlar seria fácil, já que eu não estava sedenta, mas parar a desconfortável queimação era impossível. Eu poderia conviver com aquilo muito bem. Quando nos aproximamos da secretaria, havia muita gente.
-Na biblioteca, agora a biblioteca a distribuição de horários será lá!-uma mulher alta de cabelos negros gritou, ela aparentava ter uns 35 anos. A secretária, eu deduzi.
Como eu e Andie não estávamos no meio da multidão, nós chegamos primeiro a biblioteca, já haviam pessoas lá, mas eram poucas. A biblioteca era ampla, cheiro de pó e mofo prevaleciam ante o cheiro fraco do aromatizador de ambientes.
Distribuindo os horários estavam três pessoas, duas mulheres e um homem. Todos pareciam ter a mesma idade, entre 30 e 40 anos.
-Bom dia! Vocês são do primeiro grau?-sorridente a mulher ruiva perguntou.
-Somos!-eu e Andie respondemos em coro.
-Ok, bem, qual o nome das duas?-ela perguntou.
-O meu é Andie Cristine Silverstone.
-Renesmee Carlie Cullen.-era estranho pronunciar meu nome completo no meio de desconhecidos.
-Oh! Certo. Seu horário, senhorita Silverstone, está com o senhor Deeps.-ela apontou para o homem um pouco calvo na direita.
-Já você, senhorita Cullen, é aqui comigo. Senhora Ellen Grabs.-procurando meu horário, ela falou.-Aqui está! Seja bem vinda a escola secundária de Forks, sou sua professora de Inglês e essa é a senhora Megan Spancer, professora de Biologia e o senhor Deeps Holling, professor de Matemática.-os dois me olharam e sorriram.
-Muito prazer!-sorri de volta enquanto via Andie pegar seus horários.
-Bom dia de aula!-senhor Deeps desejou.
-Obrigada!-nós duas falamos já saindo da biblioteca.
Andie pegou meu horário e comparou. Vi um sorriso nascer em seu rosto.
-Durante a semana temos 7 aulas juntas, não é um máximo?-ela me olhou com olhos brilhantes.
-Oh! Claro que é.-tentei elevar meu nível de excitação, para que pudesse mostrar como eu me sentia em relação a isso.
-Então sua primeira aula é de Física, na sala quatro. Boa sorte! A minha é de Biologia, com a senhora Megan, sala 5. Vamos lá! Hoje só nos encontramos na ultima aula, ótimo! Assim saímos juntas!-Andie sorriu e começamos a caminhar em direção ao pavilhão onde ficavam as salas 4, 5 e 6. Eu entrei no 4 e Andie foi andando até o 5.
A primeira coisa que me chamou atenção além dos cheiros, foram os batimentos cardíacos dos adolescentes que estavam na minha sala. Eram desritmados, rápidos, bobeava sangue muito rápido para todo o corpo, deixando-o ainda mais quente e atrativo. Sentei na primeira fileira da direita, esperei das pessoas que entraram, mas ninguém sentou ao meu lado.
O senhor Oregon era o professor de Física. Olhando para ele, eu lhe daria uns 37 anos. Era aula introdutiva, então não teve muito o que aprender. Ele falou mais nas leis básicas da Física, lei da atração e da ação e reação. Aquela aula poderia ser entediante para mim, pois já havia lido sobre tudo aquilo nos livros de meu pai e de Carlisle, mas não. Estava sendo fascinante ver como os humanos aprendiam limitadamente. As aulas eram superficiais e sistemáticas, lentas eu diria para resumir. Não me admirava a atenção que os alunos davam a aula.
Minhas próximas aulas eram de Matemática, Espanhol, Inglês e Química. O sinal tocou, e os alunos saíram da sala, rápidos, eu fui uma das ultimas, e percebi que ninguém se aproximou de mim. Por quê?
Fui andando até a sala três, onde seria a aula de Matemática. Entrei por último novamente na sala, e todos me olharam. Dessa vez não sentei sozinha, um garoto moreno claro, de cabelos encaracolados seria meu colega de carteira.
Assim que sentei, olhei para ele. Estava com um fone no ouvido, enquanto o senhor Deeps se apresentava.
-Oi?-ele disse, percebendo meus olhos curiosos a lhe observar.
-An? A é! Oi! Me desculpe... Sou Renesmee Cullen... prazer!-tirei a bolsa das costas e deixei minha mão livre e estendida para apertar a sua.
-Olá, Mett Casson! Prazer... você é nova na cidade?-sua pergunta me deixou sem ar. Pensar em uma mentira universal, na que eu tinha contado a Andie, para não me dar mal.
-Não, na verdade sempre morei aqui... é que estudava em casa, sabe?-eu havia dito isso pra Andie, acho que no dia da trilha.
-Em casa? Seus pais são professores?-ele parecia muito surpreso.
-Oh, sim! Meu pai ensina em uma universidade em Port Angeles...-sorri, tentando parecer normal.
-Hum... estranho! Parece método antigo de ensino! Estudar em casa!-ele sorriu, e se voltou para o professor.
Mett parecia nervoso com minha aproximação. Senti seu coração acelerar assim que lhe disse oi, e sua respiração ficou pesada. Típico humano sofrendo uma reação a aproximação do sexo oposto. Agora, com esses pensamentos, eu parecia até meu pai. Sorri sozinha, escutando a música que passava no mp11 do garoto ao meu lado.
Era hip hop. Não conhecia o cantor. Parecia antigo. Olhei suas roupas, não parecia nada com os garotos que eu costumava ver na internet e na TV, os que curtiam hip hop. Ele vestia uma calça jeans, uma blusa pólo verde, e outra blusa de manga comprida branca por baixo.
Usava um perfume amadeirado, que me fez lembrar o cheiro de Jacob. Balancei a cabeça, afastando esse pensamento e me concentrei no senhor Deeps, que já começava a aula de introdução. Percebi que essa aula estava mais quieta, os alunos estavam mais atentos.
Até o final da aula, eu e Mett não trocamos mais nenhuma palavra. Suspirei assim que a aula acabou. Ele saiu rápido da carteira, e eu me senti rejeitada. Que bom...
Acho que Andie era a única que foi atraída por mim. Será que minha parte humana estava tão forte que a sedução da parte vampira tinha acabado? Porque isso era uma característica vampira que eu pensava ter, a atração vampira.
Era um tipo de instinto de sobrevivência, afinal minha comida deveria se sentir atraída por mim. Olhei em volta, a sala vazia, fui a ultima a sair de novo, chegaria atrasada a aula que se aproximava também. O corredor, minha garganta me incomodou, vários cheiros de sangue, quente com o nervosismo do contato entre si.
Espanhol! Essa era a aula da sala sete.
-Ariba! –foi o gritinho que ouvi de uma mulher morena assim que entrei na sala. Dessa vez quem sentaria ao meu lado, ou quem eu seria colega de mesa era uma garota negra. Olhos grandes, lábios cheios. Um cabelo escovado, muito lindo, bem cortado.
Assim que sentei, ela sorriu e se apresentou, parecia simpática.
-Oi! Sou Vanessa Shine!
-Muito prazer, Vanessa! Renesmee Cullen!-apertei sua mão.
Lá na frente a mulher se apresentava como senhorita Mercedes, a professora de espanhol. Essa aula era totalmente dispensável para mim. Espanhol, francês, português, alemão e italiano eram minhas línguas de domínio. Eu falava malmente um pouco de mandarim... ou chinês, mas era péssimo. Teria que aperfeiçoar.
Ela cumprimentou a sala em espanhol, pediu que os alunos se apresentassem em espanhol. Fiquei nervosa em minha vez. Não queria transparecer qualquer conhecimento na língua, mas perece que falei de mais.
-Me nombre ser Renesmee Cullen, muitas gracias!-sorri, em um tom tímido.
-Mui bem, mu tchatcha!-ela parecia surpresa, mas rapidamente passou a vez para minha colega Vanessa.
A aula foi divertida, senhorita Mercedes era muito comunicativa e alegre. Ainda que dissesse ter naturalidade americana, seu sangue era espanhol, ou mexicano, acho que latino.
E o sinal tocou. Agora seria a hora mais temida, a hora do almoço. Andie me encontrou no corredor. Fomos juntas, eu calada e ela me contando que amigos tinha feito nas suas três primeiras aulas.
-E você?-sua pergunta repentina na porta do refeitório me fez parar. Como explicar que meus poderes de atração vampirescos não estavam muito bem? Melhor não explicar.
-Normal...-sem perceber, e voltando a andar, falei.
-Normal o quê?-Andie me olhou interrogativa.
-Hum? Oh, sim! Sobre meus colegas? Fiz dois, na primeira aula não sentei com ninguém. Na segunda conheci o Mett e na terceira a Vanessa.-suspirei, sentando em uma mesa quase vazia.
-Vamos sentar? Eu vou logo pegar meu almoço, você não vem?-empolgada, ela nem sentou.
-Não estou com fome...-menti, sabendo que essa mentira não colaria todo dia.
-Tem certeza?-com olhos apelativos, ela ainda esperou uma afirmação positiva minha.
-Tenho. Pode ir...-respirei fundo e senti minha garganta arder.
Andie deu de ombros e partiu. Logo a mesa lotou, Vanessa sentou do meu lado, com mais algumas amigas e me fez a mesma pergunta que Mett, se eu era de Forks, onde eu estudava, trivialidades. E quando Andie chegou, descobri que Vanessa e ela já se conheciam, acho que de séries passadas.
Com Vanessa estavam mais duas garotas, ambas morenas, peles não tão escuras, uma do cabelo bem curto e liso, a outra tinha um enorme cabelo preto, encaracolado na cintura. Eram Stephenie e Sophie, sorridentes e comunicativas. Elas tinham aula comigo nas terças, quintas e sextas.
Mett estava em uma mesa na frente da nossa, sua cadeira exatamente virada para mim, seus olhos castanhos, de vez em quando, procuravam-me em meio as minhas colegas. Ele conversava alegremente com alguns colegas, sorria, e falava, obviamente, de nós, de mim também.
Não me dei ao trabalho de escutar, até por que teria que me concentrar no que minhas novas amigas falavam. Trivialidades.
Após o almoço, lá fui eu, junto com Andie, empolgada por novas amizades. Sentamos juntas, (novidade), o professor de química com um nome meio estranho, Arquimedes Suffar, que fez todos rirem.
E, finalmente, sinal tocou. Andie na frente do prédio, pra ser mais exata, no estacionamento, se despediu das novas colegas com um singelo abraço. Parecia que não iam mais se encontrar. Dei apenas um ligeiro tchau, com a mão esquerda e me dirigi até minha moto.
-Então, seus pais vão vir te buscar, ou vai querer carona?-Andie perguntou, encostando na minha moto. Acho que ela não tinha me visto descer da moto. Tirei as chaves do bolso e retirei o alarme. Ela desencostou automaticamente, sorrindo desacreditada.
-Vou de moto...-sorri, retirando o capacete do guidão.
-É sua?-surpresa, a pergunta pareceu tão boa.
-Sim.-curtamente respondi.
-Você é cheia de surpresa, Nessie!-ela faltou o ar.
-Quer uma carona?-sorri, tirando minha boina e colocando na bolsa.
-Nem poderia aceitar. Sou proibida de andar em qualquer meio de transporte de duas rodas... ainda mais com uma adolescente. Você tem idade pra ter carteira de motorista?-Andie rodeou minha moto, com a boca aberta.
-Bem, sendo neta do chefe de polícia...-sorri, vendo os olhos de Andie se moverem atrás de mim. Mett se aproximava, nem precisei virar para reconhecer o cheiro amadeirado que vinha dele. Junto com ele, mais três colegas, da mesma estatura eu diria.
Andie fez um sinal com a cabeça para que eu me virasse. Revirei os olhos e olhei para os olhos castanhos que no refeitório me procuravam tanto.
-E aí?-ele sorriu para mim e Andie, seus colegas apenas moveram a cabeça.
-Tudo bem...-Andie disse, em meio a minha mudez.
-Então, ainda não fomos apresentados... sou Mett Casson, esses são David Jump, Cristian Wood e Hanley Stuart, você é?-ele disse, estendendo a mão, enquanto sua turma só dizia em coro um “E aí?”.
-Prazer garotos, sou Andie Silverstone!-simpática, a loirinha disse, encostando de novo na minha moto.
-E essa é Renesmee Cullen, a garota que falei pra vocês...-ele disse, me olhando dos pés a cabeça.
-Olá!-me esforcei para ser simpática também, apenas não sorri.
Andie estava nervosa, seus batimentos aceleraram e Mett também, ao me olhar. Tentei me controlar, estava prestes a dar risada daquela constrangedora situação.
-Bem, vou indo! Minha carona chegou!-Andie saiu, ao ouvir uma buzina vindo de um corsa prata- Até amanhã, pessoal!-ela sorriu e entrou no carro. Acho que seu pai ia no volante, buzinou e ela se foi, deixando eu e a galera do Mett, uns olhando pra cara dos outros.
-E então, Renesmee...
-Só Nessie, se preferir...-lentamente, falei, entre os dentes.
-Ok, Nessie. Quer carona, ou seu pai vai vir te buscar?-ele disse, enquanto eu dava a volta na moto.
-Não, obrigada. Eu sou minha própria carona!-sorri, sentando na moto, coloquei sutilmente o capacete e liguei-a.
-Ual!-foram as exclamações que saíram das suas bocas abertas.
-Cuidado, mocinha! As estradas costumam ser... perigosas.-Mett disse, se afastando, ele e seus colegas. Não dei atenção. Simplesmente dei uma leve arrancada, fazendo os pneus guincharem sem querer no asfalto da escola. Todos me olharam, vi pelo retrovisor. Por dentro de mim a adrenalina corria solta.
Sentir a velocidade, pra mim era de mais!
Peguei a pista que cortava a cidade, e nem notei quando alguns motoqueiros me cercaram, quatro no total. Deduzi, lógico, a turma de Mett. E como não senti, mesmo estando com o capacete e a 60 k/h na via pública, aquele amadeirado característico?
Será que Mett era um lobo? Não! Pensamento mais idiota! Eu sentiria um lobo, ah! Isso com certeza! Mas aquele cheiro...
Buzinas cortaram a minha concentração, e logo os quatro começaram a me fechar, estavam me seguindo. Assim que peguei a estrada federal, acelerei, iria levá-los para longe da minha casa. Eu tinha combustível suficiente.
100 k/h, essa era minha velocidade mínima. Eles estavam não atrás de mim, mas do meu lado. A moto de Mett era vermelha, se destacando entre as quatro pretas que o seguiam. Logo eles tomaram minha frente, e eu, em uma manobra de fuga, bem, só mais pra tirar uma onda com aqueles adolescentes, pisei no freio traseiro, fazendo a moto girar 90° graus, e segui, no sentido contrário, de volta para Forks, agora já com 120 k/h.
Ficou fumaça na estrada, mas senti que eles não voltaram, por isso, diminuí, e fui direto pra casa. Meu primeiro dia de aula, bem, foi muito emocionante. Nenhum problema aparente, meu auto controle estava forte...
Deixei a moto na garagem, minha mochila e as chaves lá também, não havia lição de casa, então não tinha necessidade de ter a bolsa ao meu lado em casa. Assim que me virei para sair da garagem, senti uma presença estranha lá.
Olhei em volta, não vi nada, não havia odores também no ar. Dei de ombros e caminhei até a porta. Foi quando a imagem de rabisco sumiu no ar. Primeiro apareceu, para depois sumir. Foi instantâneo, coisa de meio segundo ou menos. Uma imagem de TV quando falta energia, ou quando pifa, que some a imagem, assim foi a sombra que eu vi.
Meus músculos se contraíram, e senti que meu sangue estava prestes a congelar, por tamanha adrenalina, meu instinto assassino nunca esteve tão pronto para explodir. Olhei em volta, tudo calmo. Aquilo me tirou do sério.
Aquele silêncio...
-Nessie?-a voz de tio Jasper me vez voltar a minha posição normal, sair da ofensiva.
-Sim?-perguntei, me recompondo, olhando para seus olhos dourados na minha frente.
-Como foi a aula?-tranquilamente, ele perguntou, indo se sentar sobre o capô da BMW de meu avô. Pelo visto, tio Jasper não sentiu nenhuma presença estranha. Só eu.
-Dos piores, o melhor!-suspirei, rindo. Ele apenas contraiu os lábios, no que eu achei que era um sorriso.
-Hum... interessante. Sua garganta?
-Não, não me incomodou tanto. Normal...-respondi, de pé, olhando para sua cara curiosa.
-Certo... era só...-ele finalmente sorriu abertamente, e eu saí da garagem, sem comentar nada do que tinha visto, afinal não tinha certeza de nada.
Entrei em casa, fui tomar banho, troquei de roupa, coloquei uma mais leve. Pensei em ir a La Push, mas não sabia como estava o clima lá. Sentei na escrivaninha do meu quarto, dedilhando algo no computador, até que lembrei em fazer as rotineiras tarefas domésticas.
Acho que nenhuma empregada doméstica em sã consciência viria aqui. Pelo menos não na minha casa. Na de meu avô sim, como estavam sempre viajando, ninguém em casa, tinha sempre uma equipe de limpeza lá.
Meu pai ainda quis, mas eu não me neguei a fazer tarefas leves, como tirar o pó do chão, limpar a prataria, os móveis... nós não usávamos o banheiro com freqüência, era mais eu, pra um banho, já que o sangue ingerido por nós, era totalmente absorvido, não sobrava pra expulsar nada.
Isso era bom... sorri sozinha, só de entrar no banheiro e saber que o vaso sanitário era inutilizado.
A poeira estava tirada, com super velocidade era fácil fazer tudo, e a diversão sempre acabava rápido. Então fui limpar as janelas, com um pano úmido e um limpa vidros qualquer, comecei a limpar pelo quarto dos meus pais, e fui terminar no meu.
Esguichei alguma gotas do limpa vidros no vidro, que ficou todo embaçado, e com o pano fui secando. Havia alguém atrás do vidro, me arrepiei quando passei o pano e descobri um focinho. Jacob estava aqui.
Saí o mais rápido que pude de dentro de casa, e abracei, de um jeito desengonçado meu namorado peludo. Ele uivou, creio que de contente, fungou no meu pescoço, seus olhos tristes. Eu não precisava dos poderes psíquicos do meu pai para descobrir o que aqueles olhos significavam...
Não nos veríamos mais, pelo menos não hoje. Devia ser ronda fora da reserva, isso ele fazia antes de ser alfa, com Sam, e agora estava colocando os garotos na mesma linha. Entre as árvores senti o cheiro de Quil e Jared.
-Onde está Embry?-perguntei, assim que ele se deitou, colocando aquela enorme cabeça no meu colo, cabia pelo menos as orelhas.
Em resposta ele esticou a cabeça, como quem diz: “-Ficou na reserva”.
-Hum...-indaguei.
Alisei seu pelo macio, estava curto, havia pouco tempo que ele cortara os cabelos, acho que nem um mês. Ficamos assim, até que um lobo impaciente rosnou dentro da floresta, acho que Jared. Jacob rosnou de volta, e continuou ali, recebendo meus cafunés.
Mas como tudo que é bom dura o tempo certo para ser inesquecível, Jacob se levantou, sacudiu o pelo, me respingando água da relva.
-Boa ronda, Jake!-falei, passando a mão em sua cabeça, que ele fazia questão de abaixar, para que eu a tocasse. Jake fungou e saiu, devagar, olhou para trás,e sumiu na floresta. Meu coração se apertou, não de saudade, mas lembrei da sombra, me arrepiei, e a adrenalina veio a tona.
Só de imaginar algo perseguindo Jacob, ou o atacando, meu sangue parecia se estilhaçar. Meu coração bateu mais rápido e tive que me segurar para não me transformar. Aliás, as transformações estavam cada vez mais involuntárias, não sei até quando eu poderia me segurar.
Não segui a alcatéia por um simples motivo: eu com certeza atrapalharia. Até porque, a impressão de Jake era mais forte que ele. Eu estaria colocando seu bando em vulnerabilidade quando ele descobrisse minha presença.
Então, apenas voltei para casa. Estava escurecendo já, logo meu pai e minha mãe estariam em casa. Edward, sempre pontual, Bella e tia Alice nem tanto.
-Boa noite!-meu pai, passando no meu quarto, desejou, me dando um frio beijo na testa.
-Boa noite!
-E como foi a aula?-ele sentou-se na minha cama, e eu apenas girei a cadeira da escrivaninha para ficar de frente para ele. Eu não gostava de mostrar meus pensamentos de costas, afinal era uma conversa, diferente, mas era.
-Hum... que bom que seu auto controle está assim tão forte. Mas parece-me que sua auto confiança também está bem maior, não?-assim que pensei em me sentir auto confiante, ele cortou - Querida, não estou cortando, apenas alertando. Não é bom ser auto confiante demais. Temos sempre que atentar para os erros...
-Eu sei...-deixei escapar, além de uma revirada de olhos características do momento sermão.
-Sermão, não! Conselho... ei! Que sombra é essa, que está te preocupando?-automático como sempre, ele leu o que acabara de passar em minha mente.
-Nada de mais. Paranóia minha...-comentei, e pensei da mesma forma.
-Cuidado...-ele apenas disse, e saiu.
Eu sabia que ele ia passar a noite alerta, iria comentar com a mamãe, e enfim, alertar a família toda. Assim era o sistema de proteção dos Cullens.
Assim que Bella voltou, me deu boa noite, e eu me deitei. Estava com a mente, até então, vazia. Melhor assim, meu pai poderia ouvir qualquer pensamento meu dormindo, do outro lado da casa.
Não sei como, mas só entendi uma coisa, eu estava transformada. Quando um braço gelado me envolveu no meio da escuridão do meu quarto, minha adrenalina foi a mil. Meu coração parou de bater na hora, mas quando dei por mim, só ouvi um repentino barulho na porta.
Quando Bella ligou a luz do quarto, pude ver meu pai e a porta no chão. Edward tinha as mãos cravadas no ar. Como se estivesse agarrando alguém. Minha mãe tinha na face adolescente uma expressão de horror, revolta.
Eu não entendi nada, só quando meu pai, apenas com uma calça azul do pijama, se levantou e me olhou de cima a baixo, é que eu entendi que alguma coisa havia tentado me atacar.
-Você está bem?-mamãe perguntou, vindo me abraçar. Seu corpo agora parecia quente, comparado ao meu, que estava congelado.
-Acho que sim...-gaguejei um pouco.
-Desgraçado!-meu pai xingou, socando a parede.
-Como ele...
-Entrou aqui? Teletransporte! Maldito poder!-Edward tinha ódio no seu olhar dourado.
-Mas sua presença, não fica marcada... não há cheiro algum!-minha mãe constatou, e eu também. Nós duas estávamos sentadas na cama, ela ainda com as mãos envoltas em minha cintura.
-Ele não deixa muitos rastros... não sei como fazer pra proteger a Nessie... ela está muito vulnerável...
-Ei! Que barulho foi esse?-tia Alice apareceu na porta do meu quarto, com uma cara de susto, tio Jasper estava atrás dela.
-O vampiro teletransportador...-meu pai respondeu curtamente, encostado na parede, com olhos retos em mim. Mas só os olhos, sua visão estava além de mim.
-Ele feriu a Nessie?-tio Jasper perguntou.
-Não, estou bem!-sorri, ainda transformada.
-Nessie, querida, se destransforme, não sabemos que efeitos isso pode ter futuramente. Melhor ficar normal...-meu pai sugeriu.
Tentei, e dessa vez foi fazendo força, mas não sei como, não consegui.
-Não consegue?-meu pai me encarou, seus olhos se estreitaram.
-Alice?-minha mãe olhou para ela, que ficou parada olhando pro nada.
-Não, ainda resta algum tempo. Para a definitiva...-tia Alice respondeu, voltando a se.
-Você não consegue ver quem ele é?-tio Jasper a encarou e ela apenas baixou a cabeça, desapontada com sigo mesma.
-Ele é muito inconstante, mesmo que você conseguisse ver algo, não seria permanente.
-Será que ele volta Edward?-minha mãe encarou a fisionomia preocupada e interrogativa do meu pai.
-Acho que não. Essa noite estamos em alerta, talvez ele não apareça...
Diante do talvez, minha mãe, me olhou franzindo a testa. Eu me sentia super desconfortável. Eu estava sendo o elo fraco da corrente, a vulnerável da história.
-Mas você é!-meu pai disse.
-Mas eu não queria ser! Eu posso me defender...
-Tanto que nem está conseguindo se destransformar... filha, ainda falta muito. Você não está preparada para uma luta, não agora. O que podemos fazer apenas é irmos aos nossos aposentos. Não resta mais nada. Nessie estará segura essa noite.
Eu suspirei. Detestava causar aborrecimento a meus pais.
-Mas não é você que está causando, pare com isso! É aquele monstro a solta, que quer fazer algum mal a você! Pelo menos sabemos o que ele quer...-saindo com o resto da minha família, meu pai falou, meio sombrio. Aquilo me arrepiou.
Ainda transformada, tentei dormir, não dava, a adrenalina, que fazia meu sangue se congelar, não me deixava dormir.
Tentei, como ultimo esforço, colocar meu coração para pulsar, e com sucesso, demorado, mas com sucesso, ele bateu, e bateu forte e rápido, como nenhum coração humano bateria. Como eu queria sentir o pelo daquele lobo em volta de mim agora ...